Cidadania Digital: quando a adaptação é mais bonita que o original :)

Pois, opiniões não se discutem, mas esta é a nossa 🙂digcitizen
No passado dia 2 de janeiro, a página Facebook da Rede de Bibliotecas Escolares partilhou um atrativo poster de Sandy Karas Liptak que a autora do blogue “The Book Fairy Goddess” publicara em setembro de 2012.
Num impulso, pedi a alguns amigos que me ajudassem na sua adaptação a português, em mais uma prova do poder da rede na aprendizagem e no desenvolvimento profissional docente. Eis o resultado abaixo. Esperamos que gostem. Podem clicar nas hiperligações para acederem ao Poster em imagem de maior resolução e em PDF.

Um sincero obrigada à Marta Freitas pela ilustração, ao José Alberto Rodrigues pelo arranjo gráfico e à Luz Encarnação pela revisão da tradução.

Bom regresso às aulas!

 

Cidadao_digital900[PNG]

[PDF]

 

Isto de ser Professor – tentativa vã de definição. Só porque é Natal.

Descobri-me Professora na 1.ª aula. A cada dia que passa essa profissão está mais enraizada em mim. Estive dois anos sem ensinar/comunicar (a não ser situações de comunicações, workshops e formação docente) e senti-me a esmorecer, como uma planta sem água. Quem me conhece, sabe que foi assim.

Este ano, sinto-me meio dividida no perceber isso do ser “Professora” e “Aquela que está na Escola e Ensina”. Tenho uma relação humana excelente com uma turma muito difícil. E todos os dias sinto que ensiná-los é muito difícil. E o curioso é que todos eles, mesmo os com mais dificuldades, mais desconcentrados, mais indisciplinados, querem aprender. Não sabem é muito bem como. E revelam a maior das dificuldades em ações básicas: saber escutar, concentrar-se a ler. Se em qualquer aula é fundamental, imaginem numa de Português. Concentrei o meu trabalho do 1.º período no desenvolvimento dessas capacidades, atrasando a gestão do programa e das metas, e não sei se consegui.

Na escola, do que sinto mais falta é de tempo para me sentar com os colegas e discutir estratégias, de organização de materiais, de construção de instrumentos. Teria reunião todas as 4.ªs feiras se fosse para isto. Mas… não posso dizê-lo em voz alta se não sou crucificada. E se os meus parcos leitores disserem a alguém que leram isto aqui, eu digo que estava a alucinar 🙂

Mas hoje escrevo porque…. não sei o que se passa na escola. Há uma crescente valorização dos instrumentos ditos de balanço e de controlo. O resultados dos mesmos não sei quem avalia nem a que conduz. Gostava de pensar que se traduzirá a uma adequação de estratégias e a uma melhoria das aprendizagens mas não é bem a isso que assisto anos após anos.

Esta imagem mostra os cinco anexo que recebi hoje. 5 documentos que terei de preencher, por turma. A estes acrescerão os registos de avaliação, os Planos de Apoio, o balanço da Leitura Recreativa. Por turma. Muitos documentos mesmos. Mas eu sou privilegiada; como acumulo funções, só tenho uma turma. Mas…. os colegas que se dedicam em exclusivo á escola e têm 6, 7 turmas?? Estarão, por esta hora, afundados em papéis.

anexos_avaliacao

E reparem, não é uma crítica às minhas chefias, com as quais tenho aprendido bastante. É uma critica à Escola, em geral. É uma crítica a nós mesmos que, com o tempo, estamos a afastar-nos do essencial. E o essencial é só um. Só um, pois tudo o resto virá por acréscimo. Fazê-los descobrir o prazer de aprender, de saber escutar, ler escrever, saber….

Gostava tanto mas tanto que parte do tempo e do esforço colocado no preenchimento destes papéis fosse colocado em momentos de formação, formal ou informal, com ações que de facto pudessem ter um impacto nas práticas e a correspondente melhoria no envolvimento dos alunos e das aprendizagens.

Querido Pai Natal, no próximo ano….

Onde se escreve sobre Educação para todos, Metas e Exames nacionais.


Partilhei ontem, no meu perfil Facebook, este vídeo que me foi recomendado pelo meu querido amigo, Professor Jarbas Novelino, alguém que acompanha há já vários anos o meu trabalho em torno da utilização de blogues em educação. Só hoje pude vê-lo. Basicamente questiona, para o caso dos Estados Unidos, a aplicação do Common Core (uma iniciativa muito semelhante às das Metas Curriculares, implementadas a nível nacional de forma faseada) e a crescente importância dos Exames a nível nacional.

Comparar o caso americano ao português é, obviamente, perigoso, dadas as diferenças entre as duas realidades, diferenças essas a imensos níveis. Não consigo pronunciar-me sobre os efeitos nos sistema educativo da existência de Metas e Exames nacionais a não ser tendo em conta a minha experiência como Professora e como Mãe. Como Professora, “assustar-me-iam” tanto as Metas como o Programa, ou seja…. nada. Tive um Programa para cumprir sujeito a Exame nacional na maior parte dos vinte anos da minha carreira. Sou Professora de uma “área estruturante” como usa dizer-se. Ensinei Português no Secundário e ensino Português no Básico. Em ambos os contextos tive o privilégio de conduzir turmas durante 3 anos até ao final do percurso e ao encontro do Exame. Tive sempre turmas bastante heterogéneas. Não dei aulas em zonas especialmente favorecidas, ou desfavorecidas socialmente, ou seja, devo poder dizer que dei/dou aulas a uma amostra do que é a população nacional. Ter um Programa para dar e um Exame nacional nunca foi impeditivo de realizar o tipo de Avaliação que está legislado, Avaliação Formativa, que procurei sempre que fosse o mais autêntica possível. Sempre me debati com as dificuldades em diferenciar como eu gostaria, dificuldades essas sublinhadas pelo aumento de alunos por turma e pelo número de turmas no horário. Desde 2000, que de forma gradual, tento introduzir tecnologias no currículo, algo em que sinto que estou ainda muito longe do ideal. Fazer avaliação formativa significa, entre muitas outras coisas, que não recolho dois elementos de avaliação por período letivo para cada aluno, em cada turma. Significa que recolho dois aos quais posso chamar Ficha de avaliação formativa e recolho outros, vários, que no caso de um aluno com deficit num determinado domínio específico posso recolher e para outro aluno não. Significa que levo os alunos a entender que cada tarefa de aprendizagem é, de certo modo, uma tarefa de avaliação, se não para mim, para ele, que é o elemento mais importante do processo e necessita de compreender o que precisa ainda de evoluir no processo de aprendizagem. Se considero que as Metas podem ajudar nesse processo? Considero. Se considero que o Exame Nacional é um bicho-papão no final do processo? Não considero. E, se eu fizer bem o meu trabalho, eles também não consideram e fá-lo-ão com seriedade. Para que é que o exame serve? Para complementar a avaliação deles, para aferir de que modo a aprendizagem foi realizada a um nível macro. Não sei se serve para me avaliar a mim. Tornaria o processo ridiculamente injusto se servisse para comparar um docente do Colégio São João de Brito a outro docente de uma Escola Pública da Damaia, quando as “matérias-primas” são tão distintas e o Professor da segunda escola, imaginemos, desenvolveu uma série de estratégias fabulosas para os seus alunos de contexto social mais desfavorecido e menos estimulados intelectualmente pelos seus pais e com menos possibilidade e acesso a cultura, a tecnologias…. A um pequeno-almoço decente…. Sei lá….

Agora…. Uma pequena história como mãe. O filho mais novo iniciou o primeiro ano em setembro. Não está na minha Escola, onde eu sei que o procurar realizar uma avaliação formativa autêntica não obrigaria à marcação no calendário do primeiro período de dois momentos de avaliação sumativa. Os elementos foram sendo recolhidos, misso, imagino que sim. A criança está a frequentar outra escola pública. Entre a escola- nova, tipo centro escolar inaugurado em setembro, escolhi esta que tem 4 turmas apenas, uma de cada ano do 1.º ciclo. Apurei que a colega era uma pessoa experiente. Não fui ver as notas do exame nacional de 4.º ano dos alunos que ela deixou em Junho. É o tipo de coisa em que as variáveis são tantas que não podemos, aí está, usar isso para avaliar a qualidade do ensino. Avaliou-se a qualidade da aprendizagem daqueles alunos e, sobretudo, a forma como eles conseguiram demonstrá-la num momento pontual de duas horas em que podiam ter dores de barriga. Bom, o meu educando…. Fui surpreendida pela marcação mais que oficial do primeiro momento de avaliação sumativa (3 testes, em cada área, em 3 dias seguidos). Em dezembro terá o 2.º momento. Fiz alguma coisa especial? Fiz, procurei explicar-lhe o conceito de avaliação de desempenho e de “nota”. No fim de semana anterior perguntei se não achava melhor fazer umas atividades extra. Não obriguei mas fez, não muito convencido. Serviu para fazer uns ajustes (curiosamente, apenas sobre o empenho colocado no pintar de uma caixa com a maior quantidade de maçãs. O empenho é um fator importante. Logo a seguir à motivação do qual depende). Não interessa muito dizer qual o resultado final da primeira avaliação da vida dele; interessa perceber que ele ficou satisfeito, sobretudo que percebeu que está num caminho bom, da mesma que seria útil saber que o caminho não é ainda o melhor, mas é o caminho dele.

Face a isto podem pensar, mas a criança só tem seis anos? O que é que ele aprendeu? As vogais, os algarismos até, a noção de dezena, algumas coisas em estudo do meio, ainda não dois meses de aprendizagem e já é avaliado? Com um instrumento de avaliação sumativa? Com tão pouca coisa? Não. Com muito. Qualquer aprendizagem, por mínima que apreça, é imenso. É valor. É incentivo. E se fui surpreendida inicialmente (na minha escola isso não teria acontecido), agora sinto-me perfeitamente em paz e gosto, sinceramente gosto, de saber que ele sabe que começou um dos caminhos mais sérios da vida dele, juntamente com outros, muito sérios também, o das emoções, o das relações sociais.

Regressando ao vídeo. Se, como se diz no vídeo, o Exame nacional deixa de lado coisas importantíssimas que a Escola ensina (ou deve ensinar)? Deixa. Coisas como a criatividade, o pensamento crítico, o trabalho em equipa, a literacia digital, e …. valores. Se esse tipo de aprendizagens está contempladas nas Metas? creio que sim, implicitamente. Está nos referenciais das áreas transversais, na Educação para a Cidadania. precisamos de avaliá-las com um Exame? Conseguíramos? Não creio. Um bom professor precisa de Metas para não as esquecer. Não creio. Os Exames são um absurdo porque esquecem essas aprendizagens? Não. Os Exames são o que são. Um esforço de aferição. Sempre me serviram para organizar a aprendizagem. Os meus alunos de 9.º começam o ano com o exame nacional do ano anterior, ao qual retiro duas questões que não cabem em 90 minutos de aula ou se referem a conteúdos específicos ainda não trabalhados. Costumam falhar redondamente? Nada disso.

Em que ficamos? Dizei-me vós.

Na sala de aula. Do futuro?

[comentário feito a um post no FB do José Paulo Santos a propósito do que chamou “sala de aula do século XXI” ilustrando a foto de uma sala de aula de uma escola portuguesa HOJE]

A esta hora não vou acrescentar grande coisa aos belos comentários que suscitaste José Paulo mas…também não podia deixar de vir agradecer à Rosalina a simpática menção. Obrigada R.!

Quanto à sala de aula que se quer diferente… não sei se século XXI ou não…. É mais século XXI porque tem um pc na secretária do professor com um software para registo de sumários e faltas, ligação á internet e um QIM?

Se há coisa que me faz confusão são estas etiquetas que gostamos de colar às coisas que procuramos compreender. Como se só o termos a etiqueta já resolvesse meio problema. E temos então os “nativos digitais” e a “sala de aula século XXI”, por exemplo. Quer queiram quer não, desde 1 de janeiro de 2000 somos, salas, professores, alunos e pais dó século XXI :o)

Mas não aconteceu nenhum passe de magia pois não? não aconteceu nada de mágico porque colocaram um QIM na sala de aula de um certo professor; mas pode ter acontecido cada vez que ele desarrumou a sua sala toda desde o 1º ano em que deu aulas. Não estava no Programa, não viu acontecer na aula da Orientadora pedagógica, não saiu em Decreto. Apenas leu umas coisas daquilo a que se chama Aula Moderna; não esperou até receber formação. Sentiu necessidade (e desejo) de mudar.

Se tivesse todos os dias aulas numa sala como esta http://fcl.eun.org/about;jsessionid=E2E2311D6E91DB53E378A861A10E2753 as suas aulas podiam continuar a ser uma “seca”; era sempre possível continuar a ter um método de ensino mais tradicional. Se a sua sensibilidade não fosse outra.

Penso que as mudanças podem acontecer, serem lentamente preparadas e induzidas devido a alguns fatores:

– liderança; deixemo-nos de coisas, isto de um líder de escola que fomente e incentive a inovação é mesmo muito importante;

– formação; não necessariamente da tutela, mas procurada, preparada, buscada e conseguida pela própria escola; só esta semana ocorreram pelo menos dois eventos de dimensões consideráveis, sobre inovação de praticas ligadas ás TIC, com origem em Agrupamento de Escolas, com empenho das respetivas pte e proporcionando, sem dúvida, importantes momentos de reflexão e trabalho;

– partilha de boas práticas (o stor  tem um problema para resolver, algo na sua aula não está bem, não estão os resultados, não está o envolvimento dos alunos, não está o seu  próprio entusiasmo mas… ali ao lado, no FB, seja onde for, tem oportunidade de perceber que há outras experiências, vai tentar perceber o que pode mudar… faz a primeira experiência – mesmo que tenha sido para a aula assistida durante o período de avaliação docente 😉 – e…resulta…continua então….e vai mudando…

– por fim, existência de equipamentos e possibilidade de flexibilidade no seu manuseamento.

– envolvimento dos pais e sobretudo das suas Associações; mas um envolvimento positivo; eu educo, o Sr. Ensina e eu gostaria que envolvesse mais o meu filho, que ele se sentisse o centro, o responsável pela sua própria aprendizagem.

Numa sala de aula do século XXI, expressão catita para dizer, penso eu, numa sala de aula inovadora e atual, ligada à vida real, a questão não é só a tecnologia, é aquilo que a tecnologia potencia, a criatividade, o trabalho em equipa, a autonomia, o respeito pelas necessidades e ritmos de cada um.

Um grande abraço e bom fim de semana!

Ai os Exames, os Exames!…. registo a minha opinião.

Não tenho nada contra os Exames. Bem pelo contrário, estou habituada a eles. Estão perfeitamente inseridos na minha prática educativa. Dou aulas vai para 20 anos e tive a sorte de, na maior parte da minha carreira, ter tido oportunidade de acompanhar alunos do 10º ao 12º ano (1996- 2002) e, depois, do 7º ao 9º. Dou aquilo a que chamam “uma disciplina estruturante”, Português. E nós, professores das tais áreas “estruturantes” de Português e Matemática, temos tido a atenção toda sobre nós. Até tivemos direito a um Plano de Ação para a Matemática e a um Plano Nacional de Leitura. Soube-se esta semana, salvo erro, que termina o primeiro porque não forneceu dados concretos (?!) e continua o segundo (ainda bem!) Não sei que dados concretos são esses. Resultados extraordinários na melhoria dos resultados? Resultados aferidos como? Com os Exames? E, pergunto, foi feita uma análise qualitativa daquilo que o Plano de Ação da Matemática permitiu mudar nas Escolas? Os professores foram questionados? Houve melhorias nas condições com as quais se trabalha? Houve mais trabalho colaborativo entre os docentes? Houve…. Bom, voltemos aos Exames.
“O professor deu o Programa? ai, tem de dar, vai ter Exame.” O que não corresponde a, por exemplo, 3 semanas de aulas debitadas sobre “Os Lusíadas” dadas à pressa “para cumprir”. O Professor dá o Programa porque ele existe, porque a noção de currículo aberto, essa então, é demasiado “à frente” para o país que temos. Eu gosto do Programa. O (meu) Programa não me escraviza embora questione o aumento do peso da tal “Gramática”; não é por terem decorado as Locuções e conjunções que os alunos saberão ler ou escrever melhor. Mas nem isso me assusta. O que questiono é a ideia de que os Exames melhoram as aprendizagens. Não, os Exames servem para aferir os processos, para ajudar o processo de ensino e deveriam servir para melhorar o trabalho colaborativo com os exames. Mas não é o que se faz em 120 minutos que avalia o que o aluno sabe. O aluno sabe em situação e deve ter mostrado o que sabe ao longo dos 3 anos que conduziram ao exame. Por isso é que vai a Exame. E se for bem preparado nada tem a temer, a não ser os tais nervos de meia hora e mesmo esses um bom professor trabalha com os seus alunos pois deve saber tranquiliza-los e transmitir-lhes confiança.
Em grande parte dos últimos 12 anos da minha vida profissional tive a sorte de trabalhar muito de parte com uma colega de Matemática. Sónia Dias. Mestre em Educação Matemática, área de Avaliação de Aprendizagens. Professora. Investigadora. Ainda não tem 40 anos. Para mim, uma das melhores professoras de Matemática que conheço. Eu e ela “tínhamos/temos Exame” 🙂 de 3 em 3 anos. Mas nem eu nem ela fazíamos testes ao longo dos 3 anos. Os nossos alunos não tinham, não têm, testes marcados no livro de ponto, muito menos 2 por período, muito menos ainda a folhinha preenchida até Junho. Os nossos alunos (bem como todos (ou quase) da minha escola, em todas as áreas disciplinares, têm tarefas de aprendizagem sobre os diversos aspetos em que devem ser avaliados (no caso da minha disciplina, compreensão oral e escrita, expressão oral e escrita e conhecimento explícito da língua – a tal gramática). Os meus alunos não sabem, por um lado “quando vão ter teste”, porque não têm testes, mas sabem que semana sim, semana não, há uma tarefa de aprendizagem que é recolhida para avaliação; podem não demorar 90 min a cumpri-la, podem ser só 15 e posso não recolher os mesmos exatos elementos  de todos os alunos mas, no final do período, não haverá grandes margens para dúvidas; antes de mim, farão eles novamente a sua auto-avaliação e terão como provas uns vinte elementos diferentes. Os critérios foram bem esclarecidos previamente, eles sabem exatamente o que devem saber, como vão ser avaliados e fazem muitas vezes hetero-avaliação. As últimas épocas de exame têm sido serenas para eles e, por norma, em algum momento do 10º eu escuto-os dizer que “o Português do 10º até é fácil”. É o melhor sinal de que a missão foi cumprida.
Eu não tenho nada contra os Exames. Mas gostaria que eles melhorassem o Ensino, eles e as Tecnologias, e a Aprendizagem por Projetos e mais uma série de coisas. E só depois, queria que um Ensino melhor, mais inovador, melhorasse, isso sim, as Aprendizagens. Ah…. E também gostava que quem fizesse os Exames tivesse um profundo conhecimento científico, metodológico e desse aulas nem que fosse só a uma turma, para conhecer a ESCOLA. Para que depois não existissem problemas, gralhas, correções e desorientações.
[imagem disponível em http://ummundoglobal.blogspot.pt/]

Com licença, sou professora, investigo de forma informal, formo professores e distribuo conteúdos. Que valor é o meu?

“Hide not your talents, they for use were made. What’s a sun dial in the shade?” ~~ Benjamin Franklin

Quando, no final do ano letivo 2010/2011, ou melhor, concluído o processo de avaliação de desempenho docente desse ano, fui surpreendida por um registo de avaliação que no ponto “Dinamização de projetos de investigação, desenvolvimento e inovação educativa e sua correspondente avaliação.” registava “n.a.” – não aplicável – não me surpreendeu a menção (não podia desejar mais que “Muito Bom” já que, no 2º ano do biénio, tinha estado na escola a 20%, embora procedesse exatamente com o mesmo empenho  e participasse a distância de forma irrepreensível) surpreendeu-me aquela decisão de não avaliar aquele parâmetro para toda a escola. Se ele tivesse sido avaliado, o meu caso teria de ser distinguido; por isso, como em várias outras situações da minha vida, fui penalizada por fazer diferente,… ser diferente. Fiquei sobretudo triste porque uma escola que decide não considerar os tais “desenvolvimento e inovação educativa” está a negar-se a ela mesma.

Se participei com o meu trabalho e o dos meus alunos no ticEDUCA e no Challenges 2012, inclusive com este bonito video, não foi decerto para avaliação, foi por tudo o que aprendemos no processo. Mas não posso deixar de lembrar esta situação ao iniciar estas reflexões que me comprometi a fazer a propósito de mais uma magnifica conferência do Professor António Dias Figueiredo e uma apaixonante conversa em torno dessas questões dos conteúdos e dos contextos educativos.

Eu sou uma professora que mudou os seus contextos. Deixem-me escrevê-lo assim. Na verdade, eu sempre fui mudando alguma coisa, o manual dos conteúdos arrumadinhos nunca foi foi o meu instrumento preferido e, na minha sala de aula, o aluno sempre foi o centro. Por volta de 2000, 2001, 2002, foi despertando a minha curiosidade esse ambiente digital, o computador, os recursos na web, a facilidade de publicação, a possibilidade de ter um profteresa.net e ele foi nascendo, um lugar outro onde os meus alunos encontravam o que íamos trabalhando nas aulas e mais ainda.

Esse meu trabalho evoluiu até ao desejo do desenvolver; inscrevi-me no Mestrado em Ciências da Educação (Tecnologias educativas) e essa paixão cresceu; como todas as paixões teve os seus perigos e, depois de várias ideias, todas elas interessantes, assumi finalmente que queria investigar o meu próprio trabalho com as ferramentas e condições naquelas alturas disponíveis para a maior partes dos docentes e escolas e embrenhei-me numa intrincada tese onde estudei Tecnologias e estudei Avaliação e onde procurei provar que era possível aprender digitalmente e ter bons resultados devidos a uma série de factores distintos.

Surgiu depois a vontade de passar dos workshops ocasionais para cursos de formação docentes e as oportunidades foram surgindo. O que aconteceu foi que, paralelamente a essas sessões em ambiente formal com direito a moodles bem organizadinhos (não porque a formação fosse a distância mas porque acredito que com os colegas professores se deve trabalhar de forma não muito distinta do que em outra situação de ensino aprendizagem: CONFIAR, APOIAR, EXIGIR, MOTIVAR, APOIAR MAIS AINDA e o Moodle permite-me organizar esse apoio e dotar os docentes de materiais bem estruturados, sempre disponíveis), fui também “provocando” os colegas nas redes a alinharem comigo em atividades de colaboração; e tenho feito, com essas “provocaçõezinhas” aquilo a que chamo desenvolvimento profissional docente (“Ai Teresa, gosto tanto desta tua ideia, vou fazer também…”, “Teresa, tenho aprendido imenso consigo, obrigada”, “Teresa, gostaria de….preciso de …pode…?”)

E eis-me chegada ao ponto que estou: um momento em que continuo reconciliada comigo mesma depois de ter percebido que aquilo que me caracterizava era precisamente o ser professora (e sê-lo, sempre dá muito jeito quando andamos a falar de educação, a trabalhar em educação), o ser formadora de professores e o, de vez em quando, apresentar uns artigos e construir (tentar, pelo menos) construir algum currículo académico. Ao longo do tempo, por força das circunstâncias daquilo a que chamam a “presença digital” tenho recebido várias solitações também de pessoas que estão a preparar as suas teses (sobretudo de mestrado) e tenho dado, não orientações, mas aquilo a que chamo apenas “dicas”, pequenas análises pois não há nada como um olhar-outro para ver no nosso trabalho aquilo que não vemos em determinado momento.

Paralelamente a isto, continua aquilo em que julgo ter-me tornado “mais conhecida”: é que, diariamente, leio e arrumo uma diversidade de fontes de conteúdos desta área das tecnologias educativas e filtro-as, distribuindo, agrupando, questionando e, tenho a certeza, dando em certos momentos a várias pessoas, um pequeno conhecimento que faltava, uma pequena ferramenta que ajuda.

Eu sou apenas isso. Agora. Não estou a fazer o Doutoramento. O que não implica que não sonhe com esse feliz momento em que eu possa dar-me ao luxo de fazer aquilo de que sempre tanto gostei: ler e estudar. Lá chegarei. Espero.

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PS: hoje estou já demasiado cansada, mas é minha intenção anotar algumas ideias também sobre o Seminário de ontem na Universidade Aberta. LMS, Redes… falarei sobre isso.