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Sobre a professora que fui, sou e quero ser. Sobre ensinar e aprender com as TIC. Sobre Inovação e competências do século XXI. E ainda…. sobre a minha aprendizagem ao dinamizar o webinar para a COIED

O título é longo. Aceito. Acusar-me-ão de ser demasiado ambiciosa. Talvez. Este post é o resultado de semanas intensas de trabalho e reflexão; não para aqui chegar mas que provocaram também tudo o que quero escrever.

São o resultado dessa enorme vontade de escrever. Do tempo que não estica. E deste gosto que sinto em aprender e formar com as tecnologias.

Parte do que tinha aqui para dizer já foi publicado. O facebook é assim: alguém da tribo diz, comenta, pensa e logo nós comentamos se o que foi dito nos diz alguma coisa. E como eu tenho uma tribo 5 estrelas, aqui fica a transcrição das últimas notas:

(quem já me leu no FB, faça scroll down até ao texto novamente  a negro)
A aprendizagem do Futuro
por Teresa Pombo a Sábado, 12 de Fevereiro de 2011 às 20:47
Primeiro… o Paulo Simões chama a atenção para uma apresentação do Steve Wheeler e para o artigo que o acompanha onde podemos ler:
The blended learning courses of the future will be those that combine formal and informal learning features. Formal learning will be undertaken mainly for the purpose of gaining accreditation, informal learning will be engaged with for the remainder of the waking hours. Unless we can harness the power, excitement and richness of the informal personalised learning experience and translate it into formalised settings, we will continue to see a widening rift between school and education. The slideshow above – a part of the keynote speech I gave at LearnTEC in Karlsruhe, Germany, earlier this month – illustrates these and other thoughts about what we might see in the future of learning.”
Depois… a Mª José Vitorino comenta “To Blend or not to blend”
😉
E… quando dou por mim, estou a responder-lhe de enfiada:
“To blend or not to blend…..if possible, blended is nice! if not, only “e”, but combining formal and informal 🙂
Ou seja, eu ainda não fui ler o Steve aqui nesta apresentação mas posso dizer o que sei para mim e defendo: que é cada vez mais necessário que as situações formais de (ensino-)aprendizagem tenham em contam TUDO o que se aprende de modo mais informal e que é TANTO e tão útil e válido.
É por isso que no contexto da educação básica, por exemplo, não se pode continuar a insistir em currículos e actividades demasiado fechados e desligados das situações de vida real.
A mim, um aluno de Língua Portuguesa de 9º ano não costuma perguntar porque está a aprender “Os Lusíadas” porque até lá já teve gosto em descobrir-se português e sabe que o maior objectivo é sempre gostar de ler e escrever para comunicar cada vez melhor.
Mas tantas vezes vejo ensinar por ensinar, sem gosto entusiasmo ou paixão 🙁 ”
Não sei se este vai ser o início do texto que tenho na ponta dos dedos há algum tempo mas…. deixo uma promessa a mim mesma pois quero:
– escrever sobre isto
– escrever sobre a professora que fui, tenho sido, quero continuar a ser
– escrever sobre a excelente experiência de aprendizagem que tive esta semana ao fazer o webinar “Diigo e Google Docs, partilhar e colaborar para aprender” durante o COIED
me aguardem! ;-)”

***


Usos e vivências das Tecnologias. Eu aprendo assim e tu?
por Teresa Pombo a Domingo, 13 de Fevereiro de 2011 às 16:12
“Comentário muito bom do Helder Santos no grupo Sapo Campus no Secundário! ” diz o Carlos Santos. Sobre usos e vivências das tecnologias pelos jovens do secundário
Aqui: http://www.facebook.com/home.php?sk=group_121452527924835
Não está bom, está excelente!
E, aí está! não está nas nossas mãos, não é nossa responsabilidade como professores não só integrar os usos que fazem e compreender o seu potencial de aprendizagem (informal) como levá-los a usar as ferramentas ao dispor da melhor maneira? Se não formos nós a ajudar, grande parte dos nossos alunos não sabe tirar partido. Se continuarmos a achar uma grande coisa dizer “Façam uma pesquisa!” (o Google existe certo?!) e não os ensinarmos a ler criticamente, a filtrar, a reunir, a colaborar, a criar…. ai Carlos, tu não provoques, que é preciso acordar esta gente! 🙂
Tenho um filho no 9º ano; observo-o a ele, observo os meus alunos. Este ano como não estou a leccionar uma disciplina, mas a dinamizar uma área curricular não disciplinar apenas, dou por mim ainda mais observadora e, cada vez mais, mais crítica.
Na reunião de pais do meu filho, já me olham de lado (e eu temo que o olhem de ponta a ele, confesso). As coisas que peço aos meus alunos, cada vez parecem mais saídas de um filme de ficção científica; como só eu peço, o complicado é comigo, fácil é continuar a fazer trabalho de copy-paste que o professor falsamente ingénuo aceita ou as eternas fichas de trabalho policopiadas (aí já evoluímos, porque os colegas mandam a ficha por email para a senhora da reprografia que, às tantas, anda à nora).
Depois observo o meu filho que, vá lá anda meio entre as estratégias que ele julga melhores (apontamentos, muitas vezes no word e as hiperligações para exercícios que me pede) e o decorar que o pai defende (é uma estratégia, dá segurança mas…. eu que nunca fui capaz de decorar nada tento explicar que aquilo só serve para aquele dia, 90 min, despejas como melhor consegues e já está).
E depois percebo, uma vez mais, que tudo está no alfa e no ómega, no principio, o currículo (aulas massificadinhas) e no fim, a forma como se avalia e, infelizmente, não a forma como se deve ir avaliando.
E eu dou por mim a pensar “STOP, parem o filme, isto está tudo errado!” vamos procurar o que está certo e mostrar!” Sim porque há também muito certo por aí mas está quase sempre escondido.
E pronto, enquanto escrevo que nem uma louca, o filhote revê os conteúdos giríssimos da próxima ficha de História e eu penso…. se fosse eu.. desta vez não havia ficha, ensinava (se fosse preciso ensinar) a usar o moviemaker (pq está nos pc’s ou outro equivalente web 2.0 free) e pedia um filme sobre esses conteúdos, com guião prévio feito em grupo (colaboração, trabalho em equipa, criatividade, lembram-se? competências~chave no século XXI, domínio das tecnologias…) e garanto-vos que, daqui a muitos meses, ele ainda se lembrava desses conteúdos.
Aprendizagem significativa alguém sabe o que é??

Bem, vou fazer uma merecida sesta. Estou como o poeta, “cansa sentir quando se pensa!” ;-)”

Prosseguindo, então… vamos lá falar sobre o que motivou uma e outra nota.

Por um lado, ….. Steve Wheller faz-nos pensar sobre o que pode ser a aprendizagem no futuro e alerta-nos quer para as ferramentas de aprendizagem, quer para os contextos, quer para os conteúdos e competências que se estão a desenvolver o que implica que não possamos continuar a descurar os ambientes de aprendizagem informais e personalizáveis, a existência de toda a web 2.0 em particular e das tecnologias em geral, telemóveis, consolas de jogos, etc.

Ou seja, meus amigos, o que é que precisamos de ensinar aos nossos alunos, como é que andamos a fazê-lo e, afinal como é que eles andam a aprender e o quê? A Aprendizagem do futuro é já hoje. A mudança é urgente correndo o risco de estarmos a comprometer saberes, competências e o futuro desses mesmos alunos.

Por outro lado… o Hélder Santos questionava o estudo de uma ferramenta (no caso a criação de um ambiente virtual, social,  de construção de aprendizagens para os alunos do secundário), pois na verdade os alunos não sabem nada destas ferramentas da web 2.0 e outra que tais, eles querem é jogos e facebooks e … bom, estão a ver….

Ao que eu respondo… pois é…. não conhecem e os que os levam a usar… sentem-se quase extra-terrestres como eu me sinto tantas vezes. É que a questão já não é (ou já não pode ser) dar-lhes um blogue (ou o moodle, pronto, eu não morro de amores pelo moodle na educação básica) para terem uns conteúdos arrumadinhos, a papinha feita, umas fichas em pdf (o que eu andei a fazer durante muito tempo e depois…. já não fazia só isso… depois, quando? quando passei a dispor de pc’s para eles). Ora bem, continuando, umas coisas giras para os pais verem (quando vêem) e os jovens (e o professor) se sentirem motivados.

A questão está em dizer a esse jovens qualquer coisa como “meus amigos, nesta unidade é suposto que aprendam isto e isto e vão ter tarefas de aprendizagem/avaliação que são assim e assado, têm aqui estes conteúdos, estas ferramentas e agora… trabalhem… ao vosso ritmo, com base no que já sabem, de forma colaborativa, revelando criatividade mas… mostrem o que valem!”.

A isto não sei se se chama aprendizagem baseada em projectos, com tecnologias… sei lá… às vezes as etiquetas não me interessam muito (prometo que depois arrumo quando tiver tempo para estudar e se o Doutoramento aflorar isto…. à distância que ainda o vejo….não sei 🙂 )

O que eu sei é que estamos no século XXI já há um bom bocado e não podemos ensinar descurando esta realidade, a realidade deles e não podemos fechar os olhos e insistir num ensino massificado, num ensino que não seja aprender com eles, aprender a aprender, aprender a colaborar, a partilhar, a trabalhar em equipa, a procurar soluções, a ser criativo.

Mas querem ideias? eu dou 🙂 ou melhor vendo 🙂 mas aviso desde já, a mudança exige algum esforço mas traz de volta imenso prazer 🙂

***

Sobre a COIED, uma breve nota. Voltarei no final das duas semanas do evento.

Foi um prazer enorme ter aceite o desafio para dinamizar um webinar. Algum nervoso devido ao meu defeito maior, o perfeccionismo (ou será o orgulho? lol) Algum nervoso devido ao formato. Eu falo muito, sou irrequieta, não me acho particularmente bonita, muito menos fotogénica ou telegénica. Falar frente a uma câmara? mesmo que seja a minha, mesmo que seja no meu querido escritório??  Resultado, um enorme investimento no ppt de suporte e uma sessão à qual sobreviveram cerca de 175 participantes num registo que alguém classificou como “magistral” ou seja uma aulita 🙂 mas, pelo que percebi, uma aula a que a malta gostou de assistir. Pronto! missão cumprida. Estamos aqui para servir 🙂

Adorei o tema que tinha escolhido e aprendi imenso, não só ao arrumar a informação que queria transmitir mas sobretudo porque foi o 1º webinar e, agora, já sei como é. O segundo, venha ele quando vier, custará menos 🙂

Agradeço ao Professor José Lagarto que tanta publicidade faz desta sua ex-aluna 🙂 e a quem devo muito, não só do que aprendi, mas do que tenho crescido tal é o incentivo 🙂 Agradeço à Celina Lajoso, grande organizadora do evento e excelente moderadora. Ao Paulo Belo, à Liliana Botelho e ao João Pereira também: obrigada por tudo!

Manifesto para uma mudança educativa (tradução de um post de Mario Aller)

[O texto que se segue é a minha tradução, devidamente autorizada, de um post de Mario Aller publicado em http://contomundi.blogspot.com/2010/08/manifesto-para-un-cambio-educativo.html.]

“Fernando Santamaria recolheu no seu blogue um manifesto que surgiu na web há algumas semanas. Graças ao seu trabalho, que é sempre muito interessante, podemos conhecer melhor esse documento para a aprendizagem do século XXI, pois é esse o seu nome. As ideias gerais dessa proposta para uma mudança educativa são as seguintes:

  1. Cultivar a criatividade: dar mais importância às capacidades que ajudarão os jovens  a progredir no século XXI, ou seja, o pensamento crítico, a resolução de problemas, a aprendizagem colaborativa, a adaptabilidade, a iniciativa, a capacidade de aceder e analisar a informação, a curiosidade e a imaginação.
  2. Fomentar uma aprendizagem flexível: organizar a aprendizagem em torno de projectos e estudos a curto prazo. Envolver-se num trabalho baseado em projectos do mundo/vida real, impulsionado por uma investigação relevante e rigorosa.
  3. Confiar nos alunos: fomentar a aprendizagem em grupo e permitir que os alunos se ensinem uns aos outros. Oferecer mais alternativas sobre como mostrar o conhecimento e as competências, provas de aptidão, habilidade, bem como de memorização e incluir os créditos obtidos através de actividades extra-curriculares.
  4. Fim do ciclo de uma avaliação apenas sumativa (all in one): introduzir um sistema de avaliação contínua e flexível que permita avaliar o trabalho à medida que vai sendo realizado. Fomentar a auto-avaliação, a hetero-avaliação e uma avaliação baseada em portefólios.
  5. Adoptar a diversidade: vivemos numa sociedade diversa e multicultural. As nossa escolas deveriam reflectir esse facto num currículo que tenha em conta conhecimentos prévios, opiniões e capacidades diversificadas.
  6. Promover o respeito mútuo: desenvolver uma cultura de mútuo respeito e aprendizagem entre aquele que ensina e aquele que aprende. O contexto não é o de um versus trinta.
  7. Investir e construir sobre espaços de aprendizagem físicos: adoptar todo o potencial dos meios de comunicação social, tecnologias e jogos, meios virtuais de aprendizagem e plataformas de aprendizagem alternativas.
  8. Repensar o papel dos professores: permitir que os professores actuem como guias e não como juízes de resultados, fazendo com que lhes seja mais fácil diversificar os seus gestos de acordo com as circunstâncias, as temáticas e a as preferências dos estudantes.
  9. A prova futura: a tecnologia e a cultura estão a mudar a um ritmo muito rápido. Necessitamos, assim, de desenvolver um currículo responsável que permita a escolas e professores responder com rapidez ao novo conhecimento, à cultura viva e às tecnologias emergentes.
  10. Aula global: vivemos numa sociedade global. O nosso contexto de aprendizagem deveria reflectir essa situação. para navegar num mundo do século XXI necessitamos ser cultos numa sociedade multicultural, saturada de meios de comunicação e altamente tecnológica. Agora podemos fazer isso mediante projectos colaborativos significativos com estudantes de qualquer parte do mundo.

Stephen Downes é um dos autores que também mencionaram esta iniciativa. Foi assim descoberta a existência de outro manifesto de professores italianos “para que a escola funcione”; porque em todas as partes do mundo educativo se buscam soluções para os seus problemas. É uma evidência que os professores começam a mobilizar-se, também nos novos meios, e a formular ideias diversas mas, ao mesmo tempo, complementares. Parece-nos que a Internet e as redes sociais estão a transformar o mundo numa sala de aula grande, muito grande…”

Mudança

Imagem retirada de http://araparigadospostais.blogspot.com/2009_01_01_archive.html

Ao ler este texto de Mario Aller e tomar conhecimento do artigo de Fernando Santamaria, rapidamente recordei uma iniciativa portuguesa de há alguns meses atrás, cuja conclusão aguardo ansiosamente. Trata-se do “Manifesto pela Criatividade e Colaboração no uso da Web 2.0 nas Escolas Portuguesas” uma ideia do colega João Lima (http://twitter.com/jdlima) que, aproveitando o élan de redes sociais com o Facebook e o Twiiter e, mais tarde, a colaboração da Interactic 2.0 solicitou a colaboração de todos aqueles que quisessem dar o seu contributo para uma mudança de mentalidades na escola portuguesa.

João, sabemos que és um homem de mil ideias e projectos mas…. este não é para deixar na gaveta, pois não? Força! Aguardamos a síntese desse documento que ainda podemos ler por aqui.

Competências tecnológicas essenciais: tornar o implícito explícito

Há cerca de duas semanas atrás, um dos diversos artigos sobre tecnologias com os quais me cruzo, guardo no Diigo e até partilho via Twitter , mas nem sempre tenho tempo para ler com a profundidade que merecem, tinha este título

Making the implicit explicit” (ler aqui)

O artigo, assinado por Kim Cofino, e publicado na “Tech & Learning” tem a simplicidade e o dom de nos fazer pensar sobre o óbvio. O óbvio é aquilo que damos como adquirido e que por isso, corre o risco de perder importância. Mas não deve.

Neste caso, discutem-se aquelas que serão as competências tecnológicas essenciais (“essential technology skills”).
Aquilo que mais me agradou na leitura do artigo foi – confesso – poder confirmar algumas das que eu considero competências essenciais e que informalmente acrescento às que estão no meu plano de trabalho com os meus alunos como professora de língua portuguesa:
– colaboração a distância
– comunicação de ideias para grandes audiências
– criação de algo novo com ferramentas tecnológicas (a questãozinha da criatividade e inovação, voilá!)

Qualquer utilizador assíduo de computadores, dá como adquiridas competências como as que transcrevo:
* knowing to hold your mouse over an icon or a link to see what it does.
* understanding that the menus for any program are at the top of the screen, that they are usually very similar, and generally what you find within them (for example: “view” usually means how you see things on the screen and that menu is found in almost every program).
* recognizing when something is lit up (or underlined) on a website, you can click on it.
* knowing that the cursor changes when held over different parts of the screen and what that means (the little arrow turning into a hand over a weblink for example, or being able to stretch out a picture when it turns into the double-sided arrow).
* using tab to move from cell to cell or box to box on forms or websites.
* being able to recognize drop-down menus – and that they hold additional features.
* understanding that right clicking on things brings up more options.

E a verdade é esta: nós que, em principio, somos em maior ou menor grau, mas somos, ágeis na utilização do computador não temos noção das competências que temos desenvolvidas e que, cada vez mais, precisamos de alargar aos que com connosco trabalham.
Quantas vezes iniciámos um trabalho com alunos e, apesar de sabermos o seu à-vontade com as máquinazinhas (sobretudo na parte dos jogos, sms e afins) e percebemos que temos que explicar mais e melhor do que prevíramos?
E aqueles de nós que estão envolvidos na formação de professores e se deparam com grupos muito, mas mesmo muito, heterogéneos de utilizadores sendo que muitos mais do que aqueles que julgáramos à partida, andam de indicador em riste à procura da tecla F3?

E afinal, qual a nossa responsabilidade?
Quais as competências tecnológicas ditas implícitas que será melhor explicitar para facilitar um trabalho eficaz com as tecnologias?

Texto publicado hoje no Fórum “Geral” da Interactic 2.0.

Participe também na discussão acedendo à nossa comunidade ou deixando o seu comentário aqui no meu blogue!

Competências e Saberes segundo Perrenoud

Síntese da leitura dos documentos seguintes:
Artigos:
Perrenoud, Philippe (1999). Construir competências é virar as costas aos saberes. Disponível em http://www.unige.ch/fapse/SSE/teachers/perrenoud/php_main/php_1999/1999_39.html.
Perrenoud, Philippe (2004). Évaluer des compétences. L’Éducateur. numéro spécial “La note en pleine evaluation”, Mars 2004, pp. 8-11. Disponível em http://www.ibe.unesco.org/poverty/poverty_docs/Ressources/Presentations_experts/
Perrenoud_Evaluer_competences.pdf
e também em http://www.unige.ch/fapse/SSE/teachers/perrenoud/php_main/php_2004/2004_01.html.
Entrevista:
Perrenoud, Philippe (2000) Construindo competências. Revista Nova Escola, Setembro de 2000, Brasil, pp. 19-31. Disponível em
http://www.unige.ch/fapse/SSE/teachers/perrenoud/php_main/php_2000/2000_31.html.

Perrenoud define competência como a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações, etc) para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações.
O trabalho sobre competências implica a transferência e a mobilização de capacidades e conhecimentos em situações reais. O autor define uma série de oito competências fundamentais para a autonomia das pessoas.
O professor que trabalhe neste contexto deve optar por problemas e projectos, propor tarefas complexas e desafios que incitem os alunos a mobilizar os seus conhecimentos e, em certa medida, a completá-los. Trata-se de uma pedagogia activa e cooperativa, aberta para o mundo e para a vida.
A avaliação de competências deve basear-se nos princípios da avalaição autêntica propostos por Wiggins:
– incluir tarefas contextualizadas
– dizer respeito a problemas complexos
– contribuir para que os alunos desenvolvam ainda mais as suas competências
– exigir a utilização funcional dos conhecimentos disciplinares
– não obedecer a constrangimentos temporais
– dar a conhecer a tarefa e as suas exig~encias antes da situação de avaliação
– exigir um certo grau de colaboração entre pares
– levar em consideração as estrtaégias cognitivas e metacognitivas utilizadas pelos estudantes
– ter em conta apenas os erros importantes sob o ponto de vista do desenvolvimento de competências.
A avaliação deve fundir-se no trabalho de aprendizagem.
Sem saberes não há competências e estas manifestam-se nas acções. Não podem faltar os recursos a mobilizar e estes devem ser mobilizados em tempo útil e de forma consciente.

Competências e Avaliação de competências

Westera, W. (2001). Competenties in Education: a confusion of tongues. Journal of Curriculum Studies, 33, 75-88. Restaurado Junho 26, 2007, de http://ou.nl/Docs/Faculteiten/OW/Westera_Competenties%20in%20Edu.pdf.

Wim Westera, cuja área de especialização é, precisamente o uso dos media na educação e que trabalha em Tecnologia Educacional, publicou, em 2001, o artigo supracitado, verificando a importância do conceito de desenvolvimento de competências nos finais do século XX, início do sec. XXI. Terminando por defender aquilo que demontra, ou seja, o facto de o conceito de competência ser bastante problemático, o autor defende que se trata, afinal, de uma sub-categoria das capacidades cognitivas propondo o seguinte esquema:

O artigo é importante pelo esclarecimento conceptual que realiza e que passo a sintetizar.
O conceito de competência é usualmente associado com a habilidade para dominar situações complexas ultrapassando os níveis de conhecimento e capacidades. Ao discutir o conceito, torna-se necessário esclarecer os tópicos
– conhecimento (1)
– compreensão (2)
– capacidades cognitivas (3)
(1) representação de factos, procedimentos, princípios e teorias num domínio particular (fácil de testar). Não deve ser confundido com (2) compreensão que é a capacidade intelectual de usar a informação de uma forma sensível e significativa. (3) capacidades cognitivas são operações mentais que processam o conhecimento.

Sobre competências já vários autores se debruçaram. Lato sensu, poderá dizer-se que se trata do uso efectivo de conhecimentos e capacidade em contextos específicos e complexos.
Em contexto educativo, a noção de competência pode ser abordada sob um ponto de vista teórico – concebendo-a com uma estrutura cognitiva que facilita comportamentos específicos. – e uma perspectiva operacional, cobrindo um conjunto de capacidades e comportamentos que representam a habilidade de lidar com situações complexas e imprevisíveis; esta definição inclui conhecimentos, capacidades, atitudes, metacognição e pensamento estratégico e pressupõe tomada de decisões intencional e consciente.

O conceito de competência é problemático essencialmente sob o ponto de vista teórico. Coloca-se, também, a questão dos padrões de competência, os seus valores, estabilidade, complexidade, pensamento consciente, sub-competências e a avaliação de competências.

Sobre a avaliação de competências, diz-nos Westera que deveria lidar com a reprodução ou, mais precisamente, com a predição de sucesso de comportamentos futuros. A questão de transferência é fundamental. Prende-se com a questão do desempenho observável. Westera afirma que um desempenho bem sucedido pode ser uma questão de sorte escondendo um mau funcionamento cognitivo.

[sobre a questão da avaliação de competências ver este post sobre Perrenoud]

AF versus Aval. certificativa – Aval. de Competências

Tradução-síntese do artigo:
PERRENOUD, Philippe (2001). Évaluation formative et évaluation certificative, des postures définitivement contradictoires ou complementaires? Formation professionnelle suisse, 4. pp. 25-28.
Também disponível em http://www.unige.ch/fapse/SSE/teachers/perrenoud/php_main/php_2001/2001_13.html

[leitura complementada por:
Santos, L. (2002). Auto-avaliação regulada: porquê, o quê e como? In Paulo Abrantes e Filomena Araújo (Orgs.), Avaliação das Aprendizagens. Das concepções às práticas (pp. 75-84). Lisboa: Ministério da educação, Departamento do Ensino Básico. Também disponível em http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/msantos/textos/DEBfinal.pdf Consultado a 21 de Setembro 2006.
e
SANTOS, Leonor (2003) Avaliar competências: uma tarefa impossível? Educação e Matemática, 74, 16-21. Disponível em http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/msantos/Comp.pdf Consultado a 18 de Setembro 2006.]

Motivos da contradição entre AF e Avaliação certificativa (ACert):
– a AF segue uma lógica de regulação, tendo como objectivo apoiar os processos de aprendizagem, ajudar o aluno a aproximar-se dos objectivos de formação (trabalho cooperativo)
– a ACert é vista como o derradeiro julgamento, tendo lugar no final de um ciclo de estudos quando já não há tempo para aprender mais.
Esta contradição leva à dissociação dos papéis do professor-formador e do avaliador.
Além disso, coloca obstáculos no contexto escolar:
. seria necessário um número enorme de avaliadores para avaliar a população escolar
. valorização dos exames escritos e orais
. competição entre escolas

passagem de um tempo de desconfiança para uma Avaliação autêntica = Wiggins (ver aqui revisão artigo) cujos traços principais são:
-a avaliação apenas inclui tarefas contextualizadas
-a avaliação debruça-se sobre problemas complexos
-a avaliação deve contribuir para que os alunos desenvolvam as suas competências
-a avaliação exige a utilização funcional dos conhecimentos disciplinares
-na avaliação de competências não são fixados limites temporais
-a tarefa e as suas exigências são conhecidas antes da situação de avaliação
-a avaliação exige alguma forma de colaboração entre os pares
-a correcção toma em consideração as estratégias cognitivas e metacognitivas utilizadas pelos alunos
-a correcção apenas toma em consideração os erros importantes sob a óptica da construção de competências
– os critérios de correcção são determinados fazendo referência às exigências cognitivas das competências visadas
-a auto-avaliação faz parte da avaliação
-os critérios de correcção são múltiplos e dão lugar a várias informações sobre as competências avaliadas.
Esta concepção pertinente dos conhecimentos torna-se incontornável para as competências, oferecendo o melhor meio de reconciliar observação formativa e avaliação certificativa.
Uma competência não é uma simples aptidão para realizar um gesto difícil mas definido anteriormente. Trata-se de escolher, construir, adaptar, i.e., de criar o gesto apropriado. Frequentemente é uma estratégia de acção feita de operações mentais e de gestos mais visíveis.
A noção de competência está no cerne da toda a formação profissional, na escola ou no trabalho e exige duas condições:
. a aquisição de recursos cognitivos (saberes e saberes-fazer);
. a capacidade de mobilizar esses recursos
Como avaliar?
– observar em contexto real e circunstancias diversificas
– interrogar não para verificar os conhecimentos mas para compreender porque se faz de um determinado modo.
OF e ACert poderão ser, assim, duas fases do mesmo trabalho.
[problemáticas da observação, d avaliação e certificação]

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