Arquivo de etiquetas: aprendizagem

Onde se escreve sobre Educação para todos, Metas e Exames nacionais.


Partilhei ontem, no meu perfil Facebook, este vídeo que me foi recomendado pelo meu querido amigo, Professor Jarbas Novelino, alguém que acompanha há já vários anos o meu trabalho em torno da utilização de blogues em educação. Só hoje pude vê-lo. Basicamente questiona, para o caso dos Estados Unidos, a aplicação do Common Core (uma iniciativa muito semelhante às das Metas Curriculares, implementadas a nível nacional de forma faseada) e a crescente importância dos Exames a nível nacional.

Comparar o caso americano ao português é, obviamente, perigoso, dadas as diferenças entre as duas realidades, diferenças essas a imensos níveis. Não consigo pronunciar-me sobre os efeitos nos sistema educativo da existência de Metas e Exames nacionais a não ser tendo em conta a minha experiência como Professora e como Mãe. Como Professora, “assustar-me-iam” tanto as Metas como o Programa, ou seja…. nada. Tive um Programa para cumprir sujeito a Exame nacional na maior parte dos vinte anos da minha carreira. Sou Professora de uma “área estruturante” como usa dizer-se. Ensinei Português no Secundário e ensino Português no Básico. Em ambos os contextos tive o privilégio de conduzir turmas durante 3 anos até ao final do percurso e ao encontro do Exame. Tive sempre turmas bastante heterogéneas. Não dei aulas em zonas especialmente favorecidas, ou desfavorecidas socialmente, ou seja, devo poder dizer que dei/dou aulas a uma amostra do que é a população nacional. Ter um Programa para dar e um Exame nacional nunca foi impeditivo de realizar o tipo de Avaliação que está legislado, Avaliação Formativa, que procurei sempre que fosse o mais autêntica possível. Sempre me debati com as dificuldades em diferenciar como eu gostaria, dificuldades essas sublinhadas pelo aumento de alunos por turma e pelo número de turmas no horário. Desde 2000, que de forma gradual, tento introduzir tecnologias no currículo, algo em que sinto que estou ainda muito longe do ideal. Fazer avaliação formativa significa, entre muitas outras coisas, que não recolho dois elementos de avaliação por período letivo para cada aluno, em cada turma. Significa que recolho dois aos quais posso chamar Ficha de avaliação formativa e recolho outros, vários, que no caso de um aluno com deficit num determinado domínio específico posso recolher e para outro aluno não. Significa que levo os alunos a entender que cada tarefa de aprendizagem é, de certo modo, uma tarefa de avaliação, se não para mim, para ele, que é o elemento mais importante do processo e necessita de compreender o que precisa ainda de evoluir no processo de aprendizagem. Se considero que as Metas podem ajudar nesse processo? Considero. Se considero que o Exame Nacional é um bicho-papão no final do processo? Não considero. E, se eu fizer bem o meu trabalho, eles também não consideram e fá-lo-ão com seriedade. Para que é que o exame serve? Para complementar a avaliação deles, para aferir de que modo a aprendizagem foi realizada a um nível macro. Não sei se serve para me avaliar a mim. Tornaria o processo ridiculamente injusto se servisse para comparar um docente do Colégio São João de Brito a outro docente de uma Escola Pública da Damaia, quando as “matérias-primas” são tão distintas e o Professor da segunda escola, imaginemos, desenvolveu uma série de estratégias fabulosas para os seus alunos de contexto social mais desfavorecido e menos estimulados intelectualmente pelos seus pais e com menos possibilidade e acesso a cultura, a tecnologias…. A um pequeno-almoço decente…. Sei lá….

Agora…. Uma pequena história como mãe. O filho mais novo iniciou o primeiro ano em setembro. Não está na minha Escola, onde eu sei que o procurar realizar uma avaliação formativa autêntica não obrigaria à marcação no calendário do primeiro período de dois momentos de avaliação sumativa. Os elementos foram sendo recolhidos, misso, imagino que sim. A criança está a frequentar outra escola pública. Entre a escola- nova, tipo centro escolar inaugurado em setembro, escolhi esta que tem 4 turmas apenas, uma de cada ano do 1.º ciclo. Apurei que a colega era uma pessoa experiente. Não fui ver as notas do exame nacional de 4.º ano dos alunos que ela deixou em Junho. É o tipo de coisa em que as variáveis são tantas que não podemos, aí está, usar isso para avaliar a qualidade do ensino. Avaliou-se a qualidade da aprendizagem daqueles alunos e, sobretudo, a forma como eles conseguiram demonstrá-la num momento pontual de duas horas em que podiam ter dores de barriga. Bom, o meu educando…. Fui surpreendida pela marcação mais que oficial do primeiro momento de avaliação sumativa (3 testes, em cada área, em 3 dias seguidos). Em dezembro terá o 2.º momento. Fiz alguma coisa especial? Fiz, procurei explicar-lhe o conceito de avaliação de desempenho e de “nota”. No fim de semana anterior perguntei se não achava melhor fazer umas atividades extra. Não obriguei mas fez, não muito convencido. Serviu para fazer uns ajustes (curiosamente, apenas sobre o empenho colocado no pintar de uma caixa com a maior quantidade de maçãs. O empenho é um fator importante. Logo a seguir à motivação do qual depende). Não interessa muito dizer qual o resultado final da primeira avaliação da vida dele; interessa perceber que ele ficou satisfeito, sobretudo que percebeu que está num caminho bom, da mesma que seria útil saber que o caminho não é ainda o melhor, mas é o caminho dele.

Face a isto podem pensar, mas a criança só tem seis anos? O que é que ele aprendeu? As vogais, os algarismos até, a noção de dezena, algumas coisas em estudo do meio, ainda não dois meses de aprendizagem e já é avaliado? Com um instrumento de avaliação sumativa? Com tão pouca coisa? Não. Com muito. Qualquer aprendizagem, por mínima que apreça, é imenso. É valor. É incentivo. E se fui surpreendida inicialmente (na minha escola isso não teria acontecido), agora sinto-me perfeitamente em paz e gosto, sinceramente gosto, de saber que ele sabe que começou um dos caminhos mais sérios da vida dele, juntamente com outros, muito sérios também, o das emoções, o das relações sociais.

Regressando ao vídeo. Se, como se diz no vídeo, o Exame nacional deixa de lado coisas importantíssimas que a Escola ensina (ou deve ensinar)? Deixa. Coisas como a criatividade, o pensamento crítico, o trabalho em equipa, a literacia digital, e …. valores. Se esse tipo de aprendizagens está contempladas nas Metas? creio que sim, implicitamente. Está nos referenciais das áreas transversais, na Educação para a Cidadania. precisamos de avaliá-las com um Exame? Conseguíramos? Não creio. Um bom professor precisa de Metas para não as esquecer. Não creio. Os Exames são um absurdo porque esquecem essas aprendizagens? Não. Os Exames são o que são. Um esforço de aferição. Sempre me serviram para organizar a aprendizagem. Os meus alunos de 9.º começam o ano com o exame nacional do ano anterior, ao qual retiro duas questões que não cabem em 90 minutos de aula ou se referem a conteúdos específicos ainda não trabalhados. Costumam falhar redondamente? Nada disso.

Em que ficamos? Dizei-me vós.

Ai os Exames, os Exames!…. registo a minha opinião.

Não tenho nada contra os Exames. Bem pelo contrário, estou habituada a eles. Estão perfeitamente inseridos na minha prática educativa. Dou aulas vai para 20 anos e tive a sorte de, na maior parte da minha carreira, ter tido oportunidade de acompanhar alunos do 10º ao 12º ano (1996- 2002) e, depois, do 7º ao 9º. Dou aquilo a que chamam “uma disciplina estruturante”, Português. E nós, professores das tais áreas “estruturantes” de Português e Matemática, temos tido a atenção toda sobre nós. Até tivemos direito a um Plano de Ação para a Matemática e a um Plano Nacional de Leitura. Soube-se esta semana, salvo erro, que termina o primeiro porque não forneceu dados concretos (?!) e continua o segundo (ainda bem!) Não sei que dados concretos são esses. Resultados extraordinários na melhoria dos resultados? Resultados aferidos como? Com os Exames? E, pergunto, foi feita uma análise qualitativa daquilo que o Plano de Ação da Matemática permitiu mudar nas Escolas? Os professores foram questionados? Houve melhorias nas condições com as quais se trabalha? Houve mais trabalho colaborativo entre os docentes? Houve…. Bom, voltemos aos Exames.
“O professor deu o Programa? ai, tem de dar, vai ter Exame.” O que não corresponde a, por exemplo, 3 semanas de aulas debitadas sobre “Os Lusíadas” dadas à pressa “para cumprir”. O Professor dá o Programa porque ele existe, porque a noção de currículo aberto, essa então, é demasiado “à frente” para o país que temos. Eu gosto do Programa. O (meu) Programa não me escraviza embora questione o aumento do peso da tal “Gramática”; não é por terem decorado as Locuções e conjunções que os alunos saberão ler ou escrever melhor. Mas nem isso me assusta. O que questiono é a ideia de que os Exames melhoram as aprendizagens. Não, os Exames servem para aferir os processos, para ajudar o processo de ensino e deveriam servir para melhorar o trabalho colaborativo com os exames. Mas não é o que se faz em 120 minutos que avalia o que o aluno sabe. O aluno sabe em situação e deve ter mostrado o que sabe ao longo dos 3 anos que conduziram ao exame. Por isso é que vai a Exame. E se for bem preparado nada tem a temer, a não ser os tais nervos de meia hora e mesmo esses um bom professor trabalha com os seus alunos pois deve saber tranquiliza-los e transmitir-lhes confiança.
Em grande parte dos últimos 12 anos da minha vida profissional tive a sorte de trabalhar muito de parte com uma colega de Matemática. Sónia Dias. Mestre em Educação Matemática, área de Avaliação de Aprendizagens. Professora. Investigadora. Ainda não tem 40 anos. Para mim, uma das melhores professoras de Matemática que conheço. Eu e ela “tínhamos/temos Exame” 🙂 de 3 em 3 anos. Mas nem eu nem ela fazíamos testes ao longo dos 3 anos. Os nossos alunos não tinham, não têm, testes marcados no livro de ponto, muito menos 2 por período, muito menos ainda a folhinha preenchida até Junho. Os nossos alunos (bem como todos (ou quase) da minha escola, em todas as áreas disciplinares, têm tarefas de aprendizagem sobre os diversos aspetos em que devem ser avaliados (no caso da minha disciplina, compreensão oral e escrita, expressão oral e escrita e conhecimento explícito da língua – a tal gramática). Os meus alunos não sabem, por um lado “quando vão ter teste”, porque não têm testes, mas sabem que semana sim, semana não, há uma tarefa de aprendizagem que é recolhida para avaliação; podem não demorar 90 min a cumpri-la, podem ser só 15 e posso não recolher os mesmos exatos elementos  de todos os alunos mas, no final do período, não haverá grandes margens para dúvidas; antes de mim, farão eles novamente a sua auto-avaliação e terão como provas uns vinte elementos diferentes. Os critérios foram bem esclarecidos previamente, eles sabem exatamente o que devem saber, como vão ser avaliados e fazem muitas vezes hetero-avaliação. As últimas épocas de exame têm sido serenas para eles e, por norma, em algum momento do 10º eu escuto-os dizer que “o Português do 10º até é fácil”. É o melhor sinal de que a missão foi cumprida.
Eu não tenho nada contra os Exames. Mas gostaria que eles melhorassem o Ensino, eles e as Tecnologias, e a Aprendizagem por Projetos e mais uma série de coisas. E só depois, queria que um Ensino melhor, mais inovador, melhorasse, isso sim, as Aprendizagens. Ah…. E também gostava que quem fizesse os Exames tivesse um profundo conhecimento científico, metodológico e desse aulas nem que fosse só a uma turma, para conhecer a ESCOLA. Para que depois não existissem problemas, gralhas, correções e desorientações.
[imagem disponível em http://ummundoglobal.blogspot.pt/]

A propósito das Metas de Aprendizagem

Foi hoje publicado o folheto “Metas de Aprendizagem e Segurança da Internet”.

Recordei então – e partilho agora – um trabalho meu que cruza as metas publicadas nas áreas de Língua Portuguesa e as de Tecnologias de Informação e Comunicação para o 3º ciclo. Para quem está interessado, pode ser um bom exemplo de integração curricular das TIC. Clique sobre a imagem para aceder:

Sobre a professora que fui, sou e quero ser. Sobre ensinar e aprender com as TIC. Sobre Inovação e competências do século XXI. E ainda…. sobre a minha aprendizagem ao dinamizar o webinar para a COIED

O título é longo. Aceito. Acusar-me-ão de ser demasiado ambiciosa. Talvez. Este post é o resultado de semanas intensas de trabalho e reflexão; não para aqui chegar mas que provocaram também tudo o que quero escrever.

São o resultado dessa enorme vontade de escrever. Do tempo que não estica. E deste gosto que sinto em aprender e formar com as tecnologias.

Parte do que tinha aqui para dizer já foi publicado. O facebook é assim: alguém da tribo diz, comenta, pensa e logo nós comentamos se o que foi dito nos diz alguma coisa. E como eu tenho uma tribo 5 estrelas, aqui fica a transcrição das últimas notas:

(quem já me leu no FB, faça scroll down até ao texto novamente  a negro)
A aprendizagem do Futuro
por Teresa Pombo a Sábado, 12 de Fevereiro de 2011 às 20:47
Primeiro… o Paulo Simões chama a atenção para uma apresentação do Steve Wheeler e para o artigo que o acompanha onde podemos ler:
The blended learning courses of the future will be those that combine formal and informal learning features. Formal learning will be undertaken mainly for the purpose of gaining accreditation, informal learning will be engaged with for the remainder of the waking hours. Unless we can harness the power, excitement and richness of the informal personalised learning experience and translate it into formalised settings, we will continue to see a widening rift between school and education. The slideshow above – a part of the keynote speech I gave at LearnTEC in Karlsruhe, Germany, earlier this month – illustrates these and other thoughts about what we might see in the future of learning.”
Depois… a Mª José Vitorino comenta “To Blend or not to blend”
😉
E… quando dou por mim, estou a responder-lhe de enfiada:
“To blend or not to blend…..if possible, blended is nice! if not, only “e”, but combining formal and informal 🙂
Ou seja, eu ainda não fui ler o Steve aqui nesta apresentação mas posso dizer o que sei para mim e defendo: que é cada vez mais necessário que as situações formais de (ensino-)aprendizagem tenham em contam TUDO o que se aprende de modo mais informal e que é TANTO e tão útil e válido.
É por isso que no contexto da educação básica, por exemplo, não se pode continuar a insistir em currículos e actividades demasiado fechados e desligados das situações de vida real.
A mim, um aluno de Língua Portuguesa de 9º ano não costuma perguntar porque está a aprender “Os Lusíadas” porque até lá já teve gosto em descobrir-se português e sabe que o maior objectivo é sempre gostar de ler e escrever para comunicar cada vez melhor.
Mas tantas vezes vejo ensinar por ensinar, sem gosto entusiasmo ou paixão 🙁 ”
Não sei se este vai ser o início do texto que tenho na ponta dos dedos há algum tempo mas…. deixo uma promessa a mim mesma pois quero:
– escrever sobre isto
– escrever sobre a professora que fui, tenho sido, quero continuar a ser
– escrever sobre a excelente experiência de aprendizagem que tive esta semana ao fazer o webinar “Diigo e Google Docs, partilhar e colaborar para aprender” durante o COIED
me aguardem! ;-)”

***


Usos e vivências das Tecnologias. Eu aprendo assim e tu?
por Teresa Pombo a Domingo, 13 de Fevereiro de 2011 às 16:12
“Comentário muito bom do Helder Santos no grupo Sapo Campus no Secundário! ” diz o Carlos Santos. Sobre usos e vivências das tecnologias pelos jovens do secundário
Aqui: http://www.facebook.com/home.php?sk=group_121452527924835
Não está bom, está excelente!
E, aí está! não está nas nossas mãos, não é nossa responsabilidade como professores não só integrar os usos que fazem e compreender o seu potencial de aprendizagem (informal) como levá-los a usar as ferramentas ao dispor da melhor maneira? Se não formos nós a ajudar, grande parte dos nossos alunos não sabe tirar partido. Se continuarmos a achar uma grande coisa dizer “Façam uma pesquisa!” (o Google existe certo?!) e não os ensinarmos a ler criticamente, a filtrar, a reunir, a colaborar, a criar…. ai Carlos, tu não provoques, que é preciso acordar esta gente! 🙂
Tenho um filho no 9º ano; observo-o a ele, observo os meus alunos. Este ano como não estou a leccionar uma disciplina, mas a dinamizar uma área curricular não disciplinar apenas, dou por mim ainda mais observadora e, cada vez mais, mais crítica.
Na reunião de pais do meu filho, já me olham de lado (e eu temo que o olhem de ponta a ele, confesso). As coisas que peço aos meus alunos, cada vez parecem mais saídas de um filme de ficção científica; como só eu peço, o complicado é comigo, fácil é continuar a fazer trabalho de copy-paste que o professor falsamente ingénuo aceita ou as eternas fichas de trabalho policopiadas (aí já evoluímos, porque os colegas mandam a ficha por email para a senhora da reprografia que, às tantas, anda à nora).
Depois observo o meu filho que, vá lá anda meio entre as estratégias que ele julga melhores (apontamentos, muitas vezes no word e as hiperligações para exercícios que me pede) e o decorar que o pai defende (é uma estratégia, dá segurança mas…. eu que nunca fui capaz de decorar nada tento explicar que aquilo só serve para aquele dia, 90 min, despejas como melhor consegues e já está).
E depois percebo, uma vez mais, que tudo está no alfa e no ómega, no principio, o currículo (aulas massificadinhas) e no fim, a forma como se avalia e, infelizmente, não a forma como se deve ir avaliando.
E eu dou por mim a pensar “STOP, parem o filme, isto está tudo errado!” vamos procurar o que está certo e mostrar!” Sim porque há também muito certo por aí mas está quase sempre escondido.
E pronto, enquanto escrevo que nem uma louca, o filhote revê os conteúdos giríssimos da próxima ficha de História e eu penso…. se fosse eu.. desta vez não havia ficha, ensinava (se fosse preciso ensinar) a usar o moviemaker (pq está nos pc’s ou outro equivalente web 2.0 free) e pedia um filme sobre esses conteúdos, com guião prévio feito em grupo (colaboração, trabalho em equipa, criatividade, lembram-se? competências~chave no século XXI, domínio das tecnologias…) e garanto-vos que, daqui a muitos meses, ele ainda se lembrava desses conteúdos.
Aprendizagem significativa alguém sabe o que é??

Bem, vou fazer uma merecida sesta. Estou como o poeta, “cansa sentir quando se pensa!” ;-)”

Prosseguindo, então… vamos lá falar sobre o que motivou uma e outra nota.

Por um lado, ….. Steve Wheller faz-nos pensar sobre o que pode ser a aprendizagem no futuro e alerta-nos quer para as ferramentas de aprendizagem, quer para os contextos, quer para os conteúdos e competências que se estão a desenvolver o que implica que não possamos continuar a descurar os ambientes de aprendizagem informais e personalizáveis, a existência de toda a web 2.0 em particular e das tecnologias em geral, telemóveis, consolas de jogos, etc.

Ou seja, meus amigos, o que é que precisamos de ensinar aos nossos alunos, como é que andamos a fazê-lo e, afinal como é que eles andam a aprender e o quê? A Aprendizagem do futuro é já hoje. A mudança é urgente correndo o risco de estarmos a comprometer saberes, competências e o futuro desses mesmos alunos.

Por outro lado… o Hélder Santos questionava o estudo de uma ferramenta (no caso a criação de um ambiente virtual, social,  de construção de aprendizagens para os alunos do secundário), pois na verdade os alunos não sabem nada destas ferramentas da web 2.0 e outra que tais, eles querem é jogos e facebooks e … bom, estão a ver….

Ao que eu respondo… pois é…. não conhecem e os que os levam a usar… sentem-se quase extra-terrestres como eu me sinto tantas vezes. É que a questão já não é (ou já não pode ser) dar-lhes um blogue (ou o moodle, pronto, eu não morro de amores pelo moodle na educação básica) para terem uns conteúdos arrumadinhos, a papinha feita, umas fichas em pdf (o que eu andei a fazer durante muito tempo e depois…. já não fazia só isso… depois, quando? quando passei a dispor de pc’s para eles). Ora bem, continuando, umas coisas giras para os pais verem (quando vêem) e os jovens (e o professor) se sentirem motivados.

A questão está em dizer a esse jovens qualquer coisa como “meus amigos, nesta unidade é suposto que aprendam isto e isto e vão ter tarefas de aprendizagem/avaliação que são assim e assado, têm aqui estes conteúdos, estas ferramentas e agora… trabalhem… ao vosso ritmo, com base no que já sabem, de forma colaborativa, revelando criatividade mas… mostrem o que valem!”.

A isto não sei se se chama aprendizagem baseada em projectos, com tecnologias… sei lá… às vezes as etiquetas não me interessam muito (prometo que depois arrumo quando tiver tempo para estudar e se o Doutoramento aflorar isto…. à distância que ainda o vejo….não sei 🙂 )

O que eu sei é que estamos no século XXI já há um bom bocado e não podemos ensinar descurando esta realidade, a realidade deles e não podemos fechar os olhos e insistir num ensino massificado, num ensino que não seja aprender com eles, aprender a aprender, aprender a colaborar, a partilhar, a trabalhar em equipa, a procurar soluções, a ser criativo.

Mas querem ideias? eu dou 🙂 ou melhor vendo 🙂 mas aviso desde já, a mudança exige algum esforço mas traz de volta imenso prazer 🙂

***

Sobre a COIED, uma breve nota. Voltarei no final das duas semanas do evento.

Foi um prazer enorme ter aceite o desafio para dinamizar um webinar. Algum nervoso devido ao meu defeito maior, o perfeccionismo (ou será o orgulho? lol) Algum nervoso devido ao formato. Eu falo muito, sou irrequieta, não me acho particularmente bonita, muito menos fotogénica ou telegénica. Falar frente a uma câmara? mesmo que seja a minha, mesmo que seja no meu querido escritório??  Resultado, um enorme investimento no ppt de suporte e uma sessão à qual sobreviveram cerca de 175 participantes num registo que alguém classificou como “magistral” ou seja uma aulita 🙂 mas, pelo que percebi, uma aula a que a malta gostou de assistir. Pronto! missão cumprida. Estamos aqui para servir 🙂

Adorei o tema que tinha escolhido e aprendi imenso, não só ao arrumar a informação que queria transmitir mas sobretudo porque foi o 1º webinar e, agora, já sei como é. O segundo, venha ele quando vier, custará menos 🙂

Agradeço ao Professor José Lagarto que tanta publicidade faz desta sua ex-aluna 🙂 e a quem devo muito, não só do que aprendi, mas do que tenho crescido tal é o incentivo 🙂 Agradeço à Celina Lajoso, grande organizadora do evento e excelente moderadora. Ao Paulo Belo, à Liliana Botelho e ao João Pereira também: obrigada por tudo!

Manifesto para uma mudança educativa (tradução de um post de Mario Aller)

[O texto que se segue é a minha tradução, devidamente autorizada, de um post de Mario Aller publicado em http://contomundi.blogspot.com/2010/08/manifesto-para-un-cambio-educativo.html.]

“Fernando Santamaria recolheu no seu blogue um manifesto que surgiu na web há algumas semanas. Graças ao seu trabalho, que é sempre muito interessante, podemos conhecer melhor esse documento para a aprendizagem do século XXI, pois é esse o seu nome. As ideias gerais dessa proposta para uma mudança educativa são as seguintes:

  1. Cultivar a criatividade: dar mais importância às capacidades que ajudarão os jovens  a progredir no século XXI, ou seja, o pensamento crítico, a resolução de problemas, a aprendizagem colaborativa, a adaptabilidade, a iniciativa, a capacidade de aceder e analisar a informação, a curiosidade e a imaginação.
  2. Fomentar uma aprendizagem flexível: organizar a aprendizagem em torno de projectos e estudos a curto prazo. Envolver-se num trabalho baseado em projectos do mundo/vida real, impulsionado por uma investigação relevante e rigorosa.
  3. Confiar nos alunos: fomentar a aprendizagem em grupo e permitir que os alunos se ensinem uns aos outros. Oferecer mais alternativas sobre como mostrar o conhecimento e as competências, provas de aptidão, habilidade, bem como de memorização e incluir os créditos obtidos através de actividades extra-curriculares.
  4. Fim do ciclo de uma avaliação apenas sumativa (all in one): introduzir um sistema de avaliação contínua e flexível que permita avaliar o trabalho à medida que vai sendo realizado. Fomentar a auto-avaliação, a hetero-avaliação e uma avaliação baseada em portefólios.
  5. Adoptar a diversidade: vivemos numa sociedade diversa e multicultural. As nossa escolas deveriam reflectir esse facto num currículo que tenha em conta conhecimentos prévios, opiniões e capacidades diversificadas.
  6. Promover o respeito mútuo: desenvolver uma cultura de mútuo respeito e aprendizagem entre aquele que ensina e aquele que aprende. O contexto não é o de um versus trinta.
  7. Investir e construir sobre espaços de aprendizagem físicos: adoptar todo o potencial dos meios de comunicação social, tecnologias e jogos, meios virtuais de aprendizagem e plataformas de aprendizagem alternativas.
  8. Repensar o papel dos professores: permitir que os professores actuem como guias e não como juízes de resultados, fazendo com que lhes seja mais fácil diversificar os seus gestos de acordo com as circunstâncias, as temáticas e a as preferências dos estudantes.
  9. A prova futura: a tecnologia e a cultura estão a mudar a um ritmo muito rápido. Necessitamos, assim, de desenvolver um currículo responsável que permita a escolas e professores responder com rapidez ao novo conhecimento, à cultura viva e às tecnologias emergentes.
  10. Aula global: vivemos numa sociedade global. O nosso contexto de aprendizagem deveria reflectir essa situação. para navegar num mundo do século XXI necessitamos ser cultos numa sociedade multicultural, saturada de meios de comunicação e altamente tecnológica. Agora podemos fazer isso mediante projectos colaborativos significativos com estudantes de qualquer parte do mundo.

Stephen Downes é um dos autores que também mencionaram esta iniciativa. Foi assim descoberta a existência de outro manifesto de professores italianos “para que a escola funcione”; porque em todas as partes do mundo educativo se buscam soluções para os seus problemas. É uma evidência que os professores começam a mobilizar-se, também nos novos meios, e a formular ideias diversas mas, ao mesmo tempo, complementares. Parece-nos que a Internet e as redes sociais estão a transformar o mundo numa sala de aula grande, muito grande…”

Mudança

Imagem retirada de http://araparigadospostais.blogspot.com/2009_01_01_archive.html

Ao ler este texto de Mario Aller e tomar conhecimento do artigo de Fernando Santamaria, rapidamente recordei uma iniciativa portuguesa de há alguns meses atrás, cuja conclusão aguardo ansiosamente. Trata-se do “Manifesto pela Criatividade e Colaboração no uso da Web 2.0 nas Escolas Portuguesas” uma ideia do colega João Lima (http://twitter.com/jdlima) que, aproveitando o élan de redes sociais com o Facebook e o Twiiter e, mais tarde, a colaboração da Interactic 2.0 solicitou a colaboração de todos aqueles que quisessem dar o seu contributo para uma mudança de mentalidades na escola portuguesa.

João, sabemos que és um homem de mil ideias e projectos mas…. este não é para deixar na gaveta, pois não? Força! Aguardamos a síntese desse documento que ainda podemos ler por aqui.

Curso de Formação de Formadores Online – uma etapa mais

Concluí hoje, com uma agradável sessão presencial final precedida de um excelente almoço-convívio entre elementos das duas turmas e os Formadores, a 6ª edição do Curso de Formadores Online (em regime de e-learning e fazendo parte do sistema de Aprendizagem ao longo da Vida da Universidade Aberta).

O curso, que durou alguns meses, focou temáticas como: os Modelos de Aprendizagem e o Papel do Formador Online, o Desenho de Actividades em Formação Online, Avaliação em Formação Online e a Concepção, Desenho e Desenvolvimento de um Curso Online, entre outros.

Os meus objectivos (validar uma série de competências desenvolvidas com o Mestrado e a minha actividade profissional e desenvolver os meus conhecimentos na área do e-learning sobretudo numa perspectiva menos ligada à escola e mais ligada ao mundo empresarial) foram atingidos. As expectativas foram claramente superadas.

O Curso está muito bem desenhado e, embora tenha sentido que poderíamos ter dedicado algum tempo mais às questões de Avaliação que tanto me preocupam, penso que as aprendizagens são muito sólidas. Como acontece frequentemente neste tipo de cursos a distância, a criação de uma comunidade virtual foi fundamental e estou certa de que muito que aprendi se deveu à interacção com os colegas e formadores, a uma busca mútua de conhecimento, ao desejo de ultrapassarmos os desafios, à colaboração que houve.

Estou certa de que manterei contacto com muitos dos colegas.

O almoço foi muitíssimo agradável. Volto a agradecer a todos. Espero oportunamente desenvolver as minhas reflexões sobre o curso talvez trazendo até este espaço o trabalho que desenvolvi no Mahara (sistema de e-pottefolio que usámos durante o curso).

Aqui fica o registo do dia de hoje, incluindo algumas fotos do belíssimo Palácio Ceia, sede da Universidade Aberta.

Projecto, precisa-se!

Em plena interrupção lectiva de Páscoa.
Papéis para arrumar.
Tudo orientado em termos de planificações e materiais.
Defesa da Tese mais ou menos preparada conforme se percebe pelo post anterior.
Resultado? Estou a “estressar” e preciso de um novo projecto.
Enquanto não me registo como formadora de professores e concebo novos
workshops, lembrei-me de um documento que desejo há muito traduzir.

Trata-se de um panfleto de 2002 do britânico ASSESSMENT REFORM GROUP sobre os “10 Princípios da Avaliação para a Aprendizagem” (princípios baseados em pesquisa para orientação da prática em sala de aula). Está aqui e daqui a alguns dias publicarei aqui a minha tradução. É um curioso esquema em leque cuja imagem reproduzo a seguir.

Boa Páscoa!