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Sobre a professora que fui, sou e quero ser. Sobre ensinar e aprender com as TIC. Sobre Inovação e competências do século XXI. E ainda…. sobre a minha aprendizagem ao dinamizar o webinar para a COIED

O título é longo. Aceito. Acusar-me-ão de ser demasiado ambiciosa. Talvez. Este post é o resultado de semanas intensas de trabalho e reflexão; não para aqui chegar mas que provocaram também tudo o que quero escrever.

São o resultado dessa enorme vontade de escrever. Do tempo que não estica. E deste gosto que sinto em aprender e formar com as tecnologias.

Parte do que tinha aqui para dizer já foi publicado. O facebook é assim: alguém da tribo diz, comenta, pensa e logo nós comentamos se o que foi dito nos diz alguma coisa. E como eu tenho uma tribo 5 estrelas, aqui fica a transcrição das últimas notas:

(quem já me leu no FB, faça scroll down até ao texto novamente  a negro)
A aprendizagem do Futuro
por Teresa Pombo a Sábado, 12 de Fevereiro de 2011 às 20:47
Primeiro… o Paulo Simões chama a atenção para uma apresentação do Steve Wheeler e para o artigo que o acompanha onde podemos ler:
The blended learning courses of the future will be those that combine formal and informal learning features. Formal learning will be undertaken mainly for the purpose of gaining accreditation, informal learning will be engaged with for the remainder of the waking hours. Unless we can harness the power, excitement and richness of the informal personalised learning experience and translate it into formalised settings, we will continue to see a widening rift between school and education. The slideshow above – a part of the keynote speech I gave at LearnTEC in Karlsruhe, Germany, earlier this month – illustrates these and other thoughts about what we might see in the future of learning.”
Depois… a Mª José Vitorino comenta “To Blend or not to blend”
😉
E… quando dou por mim, estou a responder-lhe de enfiada:
“To blend or not to blend…..if possible, blended is nice! if not, only “e”, but combining formal and informal 🙂
Ou seja, eu ainda não fui ler o Steve aqui nesta apresentação mas posso dizer o que sei para mim e defendo: que é cada vez mais necessário que as situações formais de (ensino-)aprendizagem tenham em contam TUDO o que se aprende de modo mais informal e que é TANTO e tão útil e válido.
É por isso que no contexto da educação básica, por exemplo, não se pode continuar a insistir em currículos e actividades demasiado fechados e desligados das situações de vida real.
A mim, um aluno de Língua Portuguesa de 9º ano não costuma perguntar porque está a aprender “Os Lusíadas” porque até lá já teve gosto em descobrir-se português e sabe que o maior objectivo é sempre gostar de ler e escrever para comunicar cada vez melhor.
Mas tantas vezes vejo ensinar por ensinar, sem gosto entusiasmo ou paixão 🙁 ”
Não sei se este vai ser o início do texto que tenho na ponta dos dedos há algum tempo mas…. deixo uma promessa a mim mesma pois quero:
– escrever sobre isto
– escrever sobre a professora que fui, tenho sido, quero continuar a ser
– escrever sobre a excelente experiência de aprendizagem que tive esta semana ao fazer o webinar “Diigo e Google Docs, partilhar e colaborar para aprender” durante o COIED
me aguardem! ;-)”

***


Usos e vivências das Tecnologias. Eu aprendo assim e tu?
por Teresa Pombo a Domingo, 13 de Fevereiro de 2011 às 16:12
“Comentário muito bom do Helder Santos no grupo Sapo Campus no Secundário! ” diz o Carlos Santos. Sobre usos e vivências das tecnologias pelos jovens do secundário
Aqui: http://www.facebook.com/home.php?sk=group_121452527924835
Não está bom, está excelente!
E, aí está! não está nas nossas mãos, não é nossa responsabilidade como professores não só integrar os usos que fazem e compreender o seu potencial de aprendizagem (informal) como levá-los a usar as ferramentas ao dispor da melhor maneira? Se não formos nós a ajudar, grande parte dos nossos alunos não sabe tirar partido. Se continuarmos a achar uma grande coisa dizer “Façam uma pesquisa!” (o Google existe certo?!) e não os ensinarmos a ler criticamente, a filtrar, a reunir, a colaborar, a criar…. ai Carlos, tu não provoques, que é preciso acordar esta gente! 🙂
Tenho um filho no 9º ano; observo-o a ele, observo os meus alunos. Este ano como não estou a leccionar uma disciplina, mas a dinamizar uma área curricular não disciplinar apenas, dou por mim ainda mais observadora e, cada vez mais, mais crítica.
Na reunião de pais do meu filho, já me olham de lado (e eu temo que o olhem de ponta a ele, confesso). As coisas que peço aos meus alunos, cada vez parecem mais saídas de um filme de ficção científica; como só eu peço, o complicado é comigo, fácil é continuar a fazer trabalho de copy-paste que o professor falsamente ingénuo aceita ou as eternas fichas de trabalho policopiadas (aí já evoluímos, porque os colegas mandam a ficha por email para a senhora da reprografia que, às tantas, anda à nora).
Depois observo o meu filho que, vá lá anda meio entre as estratégias que ele julga melhores (apontamentos, muitas vezes no word e as hiperligações para exercícios que me pede) e o decorar que o pai defende (é uma estratégia, dá segurança mas…. eu que nunca fui capaz de decorar nada tento explicar que aquilo só serve para aquele dia, 90 min, despejas como melhor consegues e já está).
E depois percebo, uma vez mais, que tudo está no alfa e no ómega, no principio, o currículo (aulas massificadinhas) e no fim, a forma como se avalia e, infelizmente, não a forma como se deve ir avaliando.
E eu dou por mim a pensar “STOP, parem o filme, isto está tudo errado!” vamos procurar o que está certo e mostrar!” Sim porque há também muito certo por aí mas está quase sempre escondido.
E pronto, enquanto escrevo que nem uma louca, o filhote revê os conteúdos giríssimos da próxima ficha de História e eu penso…. se fosse eu.. desta vez não havia ficha, ensinava (se fosse preciso ensinar) a usar o moviemaker (pq está nos pc’s ou outro equivalente web 2.0 free) e pedia um filme sobre esses conteúdos, com guião prévio feito em grupo (colaboração, trabalho em equipa, criatividade, lembram-se? competências~chave no século XXI, domínio das tecnologias…) e garanto-vos que, daqui a muitos meses, ele ainda se lembrava desses conteúdos.
Aprendizagem significativa alguém sabe o que é??

Bem, vou fazer uma merecida sesta. Estou como o poeta, “cansa sentir quando se pensa!” ;-)”

Prosseguindo, então… vamos lá falar sobre o que motivou uma e outra nota.

Por um lado, ….. Steve Wheller faz-nos pensar sobre o que pode ser a aprendizagem no futuro e alerta-nos quer para as ferramentas de aprendizagem, quer para os contextos, quer para os conteúdos e competências que se estão a desenvolver o que implica que não possamos continuar a descurar os ambientes de aprendizagem informais e personalizáveis, a existência de toda a web 2.0 em particular e das tecnologias em geral, telemóveis, consolas de jogos, etc.

Ou seja, meus amigos, o que é que precisamos de ensinar aos nossos alunos, como é que andamos a fazê-lo e, afinal como é que eles andam a aprender e o quê? A Aprendizagem do futuro é já hoje. A mudança é urgente correndo o risco de estarmos a comprometer saberes, competências e o futuro desses mesmos alunos.

Por outro lado… o Hélder Santos questionava o estudo de uma ferramenta (no caso a criação de um ambiente virtual, social,  de construção de aprendizagens para os alunos do secundário), pois na verdade os alunos não sabem nada destas ferramentas da web 2.0 e outra que tais, eles querem é jogos e facebooks e … bom, estão a ver….

Ao que eu respondo… pois é…. não conhecem e os que os levam a usar… sentem-se quase extra-terrestres como eu me sinto tantas vezes. É que a questão já não é (ou já não pode ser) dar-lhes um blogue (ou o moodle, pronto, eu não morro de amores pelo moodle na educação básica) para terem uns conteúdos arrumadinhos, a papinha feita, umas fichas em pdf (o que eu andei a fazer durante muito tempo e depois…. já não fazia só isso… depois, quando? quando passei a dispor de pc’s para eles). Ora bem, continuando, umas coisas giras para os pais verem (quando vêem) e os jovens (e o professor) se sentirem motivados.

A questão está em dizer a esse jovens qualquer coisa como “meus amigos, nesta unidade é suposto que aprendam isto e isto e vão ter tarefas de aprendizagem/avaliação que são assim e assado, têm aqui estes conteúdos, estas ferramentas e agora… trabalhem… ao vosso ritmo, com base no que já sabem, de forma colaborativa, revelando criatividade mas… mostrem o que valem!”.

A isto não sei se se chama aprendizagem baseada em projectos, com tecnologias… sei lá… às vezes as etiquetas não me interessam muito (prometo que depois arrumo quando tiver tempo para estudar e se o Doutoramento aflorar isto…. à distância que ainda o vejo….não sei 🙂 )

O que eu sei é que estamos no século XXI já há um bom bocado e não podemos ensinar descurando esta realidade, a realidade deles e não podemos fechar os olhos e insistir num ensino massificado, num ensino que não seja aprender com eles, aprender a aprender, aprender a colaborar, a partilhar, a trabalhar em equipa, a procurar soluções, a ser criativo.

Mas querem ideias? eu dou 🙂 ou melhor vendo 🙂 mas aviso desde já, a mudança exige algum esforço mas traz de volta imenso prazer 🙂

***

Sobre a COIED, uma breve nota. Voltarei no final das duas semanas do evento.

Foi um prazer enorme ter aceite o desafio para dinamizar um webinar. Algum nervoso devido ao meu defeito maior, o perfeccionismo (ou será o orgulho? lol) Algum nervoso devido ao formato. Eu falo muito, sou irrequieta, não me acho particularmente bonita, muito menos fotogénica ou telegénica. Falar frente a uma câmara? mesmo que seja a minha, mesmo que seja no meu querido escritório??  Resultado, um enorme investimento no ppt de suporte e uma sessão à qual sobreviveram cerca de 175 participantes num registo que alguém classificou como “magistral” ou seja uma aulita 🙂 mas, pelo que percebi, uma aula a que a malta gostou de assistir. Pronto! missão cumprida. Estamos aqui para servir 🙂

Adorei o tema que tinha escolhido e aprendi imenso, não só ao arrumar a informação que queria transmitir mas sobretudo porque foi o 1º webinar e, agora, já sei como é. O segundo, venha ele quando vier, custará menos 🙂

Agradeço ao Professor José Lagarto que tanta publicidade faz desta sua ex-aluna 🙂 e a quem devo muito, não só do que aprendi, mas do que tenho crescido tal é o incentivo 🙂 Agradeço à Celina Lajoso, grande organizadora do evento e excelente moderadora. Ao Paulo Belo, à Liliana Botelho e ao João Pereira também: obrigada por tudo!

Motivação. Leitura. Aprendizagem. Tecnologias.

Um apontamento muito breve para registar umas leituras. Incrível como um documento com 3 páginas consegue sintetizar tudo aquilo que se pensa e que se tenta transmitir aos outros. Aos que começam agora.

O documento é o seguinte:
Technology and Motivation:
Can Computers Motivate Students to Read?

por Quality Quinn, senior advisor to CompassLearning and noted author and literacy consultant e está disponível em http://www.compasslearning.com/CompassFileUpload/60Technology_Motivation.pdf

Algumas ideias importantes:

A ideia de que uma das principais funções do professor é motivar, envolver, despertar a curiosidade.
“Motivation means having the desire and willingness to do something. Teachers who want to motivate
students to stay on task, increase their knowledge and skills, and improve their ability to process
information must guide the initiation, direction, intensity and persistence of learning behavior. But
how do we as educators do that?
Most researchers agree on the following five key factors that impact motivation:
• Challenge: Students are motivated when they are working toward personally meaningful goals
whose attainment requires activity at a continuously optimal level of difficulty. This condition is
known as the Zone of Proximal Development (Vygotsky) and is vital to the learning process. (…)”

A ideia de que, segundo a revisão da literatura, há, pelo menos 5 factores-chave que influenciam a motivação: desafio, interesse, grau de envolvimento, sucesso e recompensa.

“• Interest: Motivation is impacted by the learner’s level of interest in the activity. An optimal level
of discrepancy between present knowledge and skills, and what could be if the learner became
engaged in the activity, will influence motivation for the task. Novelty also initiates interest.
When the activity is novel, the learner may become curious about engaging in a new learning
experience. (…)”

• Level of Concern: Even the most disenfranchised student will respond to a concern for their
progress and well-being as people as well as learners. Students need to have consistent and
authentic feedback. (…)”

• Success: When students discover or are put in a situation to feel satisfaction and accomplishment,
it initiates motivation or continues it. (…)”

E agora a ideia principal, na minha opinião: a de que é uma tarefa árdua a do professor,  ter todos estes níveis em conta, continuamente (e eu acrescentaria, e ensinar num contexto de uma avaliação formativa autêntica) e que as tecnologias da informação e a sua capacidade de armazenar, responder, diferenciar, agregar e desagregar de múltiplas e atractivas formas revelam que a tecnologia e a motivação são importantes aliadas.

“Given these five motivation-influencing elements, the case can be made that the teachers’ shoulders
are not broad enough to assess, design, and apply supplemental reading and writing to every belowlevel reader at the appropriate level of difficulty. However, when you examine the fundamental strengths
of information technology—specifically software—and its ability to store, respond, differentiate,
aggregate, and disaggregate in vivid, multi-modal ways, it is clear that motivation and technology are
a “natural pairing.” If you don’t believe the research, ask a student. As one student boldly put it, “The
computer doesn’t think I’m stupid!” “

O que faz falta aos professores nas escolas dos dias de hoje?

Fui professora durante 17 anos. Tive a sorte de me ter apaixonado pela minha profissão desde o primeiro dia e de nunca ter sentido qualquer instabilidade. Não tenho dúvidas de que isso sempre se deveu ao meu trabalho. Primeiro, porque terminei o curso e a profissionalização com uma boa nota; depois, porque, por onde passava, deixava saudades.

Ensinei sobretudo a ler e a escrever. Não as primeiras letras, mas aquela leitura e escrita que, entre os 12 e os 15 anos, nos devem sobretudo ajudar a pensar, a sentir e a comunicar. E tenho sido muito feliz a fazê-lo, confesso.

Ao longo deste tempo, fui também professora de Expressão Dramática, Formadora de Informática no Ens. Profissional e Formadora de Docentes. Fui fazendo inúmeros workshops e apresentando diversas comunicações, principalmente desde que me especializei numa área que não apenas contribuiu imenso para o meu desenvolvimento profissional, como me fez ter ainda maior gosto pela profissão e, também, me trouxe muitas e boas amizades.

Nos últimos anos, comecei a sentir, sobretudo naqueles momentos que dedicava às reuniões de trabalho, que horas e horas eram consumidas sem que nada de verdadeiramente importante, inovador e enriquecedor da prática educativa fosse produzido. Queria poder sentar-me durante duas horas com um colega e discutir o que fizemos, trocar estratégias e materiais, construir, fazer diferente e melhor. As reuniões eram feitas mas eu, na maior parte do tempo, ou ficava calada, ou falava e sentia-me algo incompreendida, ou desenvolvia uma forma de seleccionar o que era fundamental, esquecer o resto e, com o portátil ligado, avançar “nas minhas coisas”.

Paralelamente ao trabalho na escola, ia desenvolvendo um outro trabalho que era meu e que, por vezes, me levava ao encontro de deliciosas trocas e trabalho de equipa a distância: com colegas de outras escolas do país ou mesmo do Brasil. No fundo, começou a construir-se à minha volta uma segunda sala de professores, virtual, onde eu me sentia/sinto perfeitamente à vontade e onde falo muito mais, partilho muito mais e, sem dúvida produzo mais… em equipa.

Até que… penso que um pouco no contexto dessa “outra sala de professores”, do conhecimento que algumas pessoas foram tendo de mim e sobretudo do meu trabalho, do acumular de projectos, trabalhos, criações, comunicações (http://profteresa.net/cv), de uma enorme vontade de partilha que nunca me fez ter medo de dizer “eu faço assim e tu? que posso aprender contigo?”… surgiu a oportunidade serenamente aguardada: o convite para integrar a equipa do ME cujas funções mais directamente se relacionam com a minha especialização. Aliás, este foi até o primeiro dos dois convites recebidos. Mas… com a RBE colaborarei de outras formas, também muito agradáveis.

Assim… escrevo este post não apenas para falar do que sinto que faz falta nas escolas portuguesas (desculpem a longa introdução) mas para registar o início das minhas funções na ERTE. É que… só passaram ainda 3 dias e já pude saborear o que significa verdadeiro trabalho de equipa: o ser acolhida maravilhosamente, o saber perguntar “do que precisas? em que posso ajudar-te“, o esclarecer, mostrar, o escutar, dar e retribuir… trocar ideias, trabalhar para um produto comum, criar…

Agradeço a todos os que tão bem me acolheram e espero sinceramente estar à altura das vossas expectativas.

E regressando àquilo que faz falta nas nossas escolas… pois… é precisamente isto… ter desejo de…. condições para… saber… trabalhar em equipa.

Não estar dependente de uma reunião obrigatória, marcada no calendário com meses de antecedência, para discutir um assunto, preparar uma actividade, preocupar-se com as 2 horas que a reunião vai demorar. Passar quase uma hora dessa reunião a ler informações que, no fundo, no fundo, em nada vão contribuir para uma mudança na forma de ensinar ou – mais importante – para uma melhoria das aprendizagens. Ler e aprovar actas, mais preocupado com aquilo que se disse do que com o que de facto se fez.

É preciso ter mais tempo para pensar, reflectir, trabalhar e sobretudo partilhar. É preciso sobretudo compreender que num email que se troca, numa página que se visita, num link que se partilha no Facebook em vez de… (não, não vou ser mázinha…) o professor está a formar-se, está a aprender!

É preciso descobrir que não há longe, nem distância, que se pode trabalhar muito bem, colaborar, apenas usando um ficheiro no Google Docs, por exemplo. É preciso perceber que não é preciso estar sempre a inventar a roda; que não é preciso preparar mais um material sobre este ou aquele conteúdo quando o colega do lado fez um tão bom que pode reutilizar-se. E se ele não fez, na internet se poderá encontrar algo que possamos adaptar.

E é precisamente por isso que é tão importante partilhar e trabalhar em equipa. Às vezes, só às vezes, consigo trabalhar assim na escola. Agora… sinto que poderei fazê-lo melhor e… sobretudo… aprender…. aprender…muito!

Manifesto para uma mudança educativa (tradução de um post de Mario Aller)

[O texto que se segue é a minha tradução, devidamente autorizada, de um post de Mario Aller publicado em http://contomundi.blogspot.com/2010/08/manifesto-para-un-cambio-educativo.html.]

“Fernando Santamaria recolheu no seu blogue um manifesto que surgiu na web há algumas semanas. Graças ao seu trabalho, que é sempre muito interessante, podemos conhecer melhor esse documento para a aprendizagem do século XXI, pois é esse o seu nome. As ideias gerais dessa proposta para uma mudança educativa são as seguintes:

  1. Cultivar a criatividade: dar mais importância às capacidades que ajudarão os jovens  a progredir no século XXI, ou seja, o pensamento crítico, a resolução de problemas, a aprendizagem colaborativa, a adaptabilidade, a iniciativa, a capacidade de aceder e analisar a informação, a curiosidade e a imaginação.
  2. Fomentar uma aprendizagem flexível: organizar a aprendizagem em torno de projectos e estudos a curto prazo. Envolver-se num trabalho baseado em projectos do mundo/vida real, impulsionado por uma investigação relevante e rigorosa.
  3. Confiar nos alunos: fomentar a aprendizagem em grupo e permitir que os alunos se ensinem uns aos outros. Oferecer mais alternativas sobre como mostrar o conhecimento e as competências, provas de aptidão, habilidade, bem como de memorização e incluir os créditos obtidos através de actividades extra-curriculares.
  4. Fim do ciclo de uma avaliação apenas sumativa (all in one): introduzir um sistema de avaliação contínua e flexível que permita avaliar o trabalho à medida que vai sendo realizado. Fomentar a auto-avaliação, a hetero-avaliação e uma avaliação baseada em portefólios.
  5. Adoptar a diversidade: vivemos numa sociedade diversa e multicultural. As nossa escolas deveriam reflectir esse facto num currículo que tenha em conta conhecimentos prévios, opiniões e capacidades diversificadas.
  6. Promover o respeito mútuo: desenvolver uma cultura de mútuo respeito e aprendizagem entre aquele que ensina e aquele que aprende. O contexto não é o de um versus trinta.
  7. Investir e construir sobre espaços de aprendizagem físicos: adoptar todo o potencial dos meios de comunicação social, tecnologias e jogos, meios virtuais de aprendizagem e plataformas de aprendizagem alternativas.
  8. Repensar o papel dos professores: permitir que os professores actuem como guias e não como juízes de resultados, fazendo com que lhes seja mais fácil diversificar os seus gestos de acordo com as circunstâncias, as temáticas e a as preferências dos estudantes.
  9. A prova futura: a tecnologia e a cultura estão a mudar a um ritmo muito rápido. Necessitamos, assim, de desenvolver um currículo responsável que permita a escolas e professores responder com rapidez ao novo conhecimento, à cultura viva e às tecnologias emergentes.
  10. Aula global: vivemos numa sociedade global. O nosso contexto de aprendizagem deveria reflectir essa situação. para navegar num mundo do século XXI necessitamos ser cultos numa sociedade multicultural, saturada de meios de comunicação e altamente tecnológica. Agora podemos fazer isso mediante projectos colaborativos significativos com estudantes de qualquer parte do mundo.

Stephen Downes é um dos autores que também mencionaram esta iniciativa. Foi assim descoberta a existência de outro manifesto de professores italianos “para que a escola funcione”; porque em todas as partes do mundo educativo se buscam soluções para os seus problemas. É uma evidência que os professores começam a mobilizar-se, também nos novos meios, e a formular ideias diversas mas, ao mesmo tempo, complementares. Parece-nos que a Internet e as redes sociais estão a transformar o mundo numa sala de aula grande, muito grande…”

Mudança

Imagem retirada de http://araparigadospostais.blogspot.com/2009_01_01_archive.html

Ao ler este texto de Mario Aller e tomar conhecimento do artigo de Fernando Santamaria, rapidamente recordei uma iniciativa portuguesa de há alguns meses atrás, cuja conclusão aguardo ansiosamente. Trata-se do “Manifesto pela Criatividade e Colaboração no uso da Web 2.0 nas Escolas Portuguesas” uma ideia do colega João Lima (http://twitter.com/jdlima) que, aproveitando o élan de redes sociais com o Facebook e o Twiiter e, mais tarde, a colaboração da Interactic 2.0 solicitou a colaboração de todos aqueles que quisessem dar o seu contributo para uma mudança de mentalidades na escola portuguesa.

João, sabemos que és um homem de mil ideias e projectos mas…. este não é para deixar na gaveta, pois não? Força! Aguardamos a síntese desse documento que ainda podemos ler por aqui.

Como levar mais professores a repensar o ensino, a aprendizagem e as tecnologias?


Tive hoje a oportunidade de ler um excerto de um blogue que o Paulo Simões (obrigada!) me fez o favor de recuperar na origem.

Aí podemos ler o seguinte:

The more “Ed Tech” conferences I attend, the more I see people there who don’t need to be there. If we are talking about real change in education, the kind that makes nervous people of those with big jobs in big companies that depend on education as a market, than we’ve got to get different people here.

Só este bocadinho me fez pensar e muito…. uma ideia, uma sensação que tenho já há algum tempo, uma tendência que gostaria de ver invertida.

Embora o equilíbrio que eu constantemente tento entre a minha vida pessoal, a imensa dedicação ao trabalho da escola (com alunos e não só) e o desenvolvimento do meu currículo e, sem dúvida, da minha PLN, não me deixem ultimamente muito tempo para ir às conferências e eventos que eu gostaria (o que às vezes chega a ser terrível pois há tanto que eu poderia partilhar e aprender), quando penso nos eventos em que tenho estado, quer como parte do público quer como comunicadora, fico com a sensação de que…. está lá a família toda. Ou seja, somos quase sempre os mesmos. Começamos a ser mais, já me sinto um bocadinho de 2ª geração (costumo pensar que a malta do Minerva é a da 1ª 😉 ) quando já vamos na 3ª e na 4ª… mas a verdade é que, embora tenha a consciência de que aqueles que lá estão serão, em princípio, agentes de mudança nas suas escolas, são poucos os apenas professores que ali estão.

Ou seja: gostaria que mais professores, tal como eu, a enfrentar o desafio diário de 3 ou mais turmas e do trabalho mais ou menos colaborativo nas escolas, estivessem ali a discutir a questão da educação das tecnologias, a aprender, a descobrir.

Quem está faz parte muitas vezes de um grupo líder ou com responsabilidades na área mas tão frequentemente afastado do desafio de 90 alunos por dia, de equipamentos novos, de contratempos, de constrangimentos…

E fico a pensar: o que podemos fazer para mudar isto?

Histórias de usos das TEC EDU (o meu contexto)

Hoje desabafo.
E partilho aqui o que escrevi na Rede Interactic 2.0.

“Hoje quem desabafa sou e 😉 e este desabafo vem um pouco na continuidade da nossa troca de ideias sobre recursos educativos digitais produzidos por professores ou comerciais como os da Porto Editora (e que já continuámos a propósito do Magalhães, recorda-se?

Eu gostaria que uma das minhas utopias ou sonhos (o termo usado depende de querer dar uma visão mais ou menos positiva) do que penso e sinto sobre as tecnologias educativas fosse acreditar que a simples existência de recursos maravilhosos como a Escola Virtual fosse a chave de ouro para a mudança de postura de alguns professores, para uma mudança efectiva de estilos de ensino e aprendizagem, para uma entrada mais definitiva da escola no século XXI.Mas… não é! Conto-vos a minha história e o episódio que acaba de me acontecer hoje.

Para quem anda nisto da utilização em contexto educativo dos computadores e da Internet desde 2002/2003 a existência da escola virtual é um oásis. É um recurso com uma extraordinária qualidade que eu posso usar de modo crítico mas que está ali, com uma qualidade técnica que eu sozinha não conseguiria atingir, sendo que a qualidade pedagógica vai depender – e isso é importante não perder de vista – do uso que eu lhe der.Este ano a minha escola adquiriu uma série de assinaturas da escola virtual. O ano passado já o 2.º ciclo tinha usado; este ano (eu não fui consultada apesar de ser talvez a mais conhecedora da escola em termos de TE o que é bom pois significa que há um interesse acrescido de outros profissionais) a escola optou por adquiri uma série de licenças para professores. Eu, na minha ingenuidade, pensei que era adquirido um acesso por escola, para todos os alunos e todos os professores. Enganei-me! é à peça e por cabeça. Era só para alguns. Descobri-o quando pedi os meus dados de acesso. A resposta foi que eu não tinha pois tinham considerado que, como já produzia muitos recursos e sabia muita coisa (as palavras foram mesmo estas) não precisava. Então na minha área (LP) havia duas pessoas com acesso (a coordenadora que é do 2.º ciclo e uma colega do 3.º que me podiam emprestar o seu acesso – ooppsss, se calhar isto não era para dizer – desde que não usássemos em simultâneo (o que pelos vistos é impossível – hei-de experimentar).E pronto, mal apanhei há pouco a dita colega, pedi-lhes os dados. ela ficou tão surpreendida como eu ao saber que eu não tinha um login próprio. Deu-me os dados copiados à pressa numa folha, que estavam errados. Fui à promotora da iniciativa, pedi e já acedi.Ora, eu… a tal que não precisa… se tivesse aqueles dados na minha mão, já tinha arranjado 10 minutos para entrar, para explorar, para conhecer, para prever, para preparar….E é por ter esta atitude que eu sou a tal que já tenho muitas coisas feitas e já sei muitas mais….Não é porque tenha feito o mestrado em TE porque aí aprendi outras coisas muito importantes mas nem sequer foi o mestrado que me tornou mais sensível.O que me torna diferente de alguns mas tão próxima de tantos profissionais (todos os que encontro aqui nesta Rede, por exemplo) é uma vontade de mudar, de fazer diferente, é o entendimento de que não se pode ensinar da mesma forma, é a consciência do que já existe e o desejo de o usar, seja produzido por mim ou pela Porto Editora ou seja por quem for, sempre com um enorme respeito pela autoria alheia.

Obviamente que fiquei triste e obviamente que me sinto hoje mais extra-terrestre do que nunca mas… sabem uma coisa, o mais importante é que eu tenho o acesso da escola virtual e SIM, eu VOU USAR e com muito prazer e para enorme satisfação dos meus alunos que vêm motivados para as minhas aulas e me fazem uma professora feliz!”

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