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Transformar a Escola

O dia de hoje aqui em Joessuu, na região finlandesa da Carelia foi dedicada à visita ao Museu da Carelia na primeira parte da manhã e ao trabalho em grupo.

O trabalho em grupos (com elementos de vários países) foi realizado com plantas de arquitectura na mão. Recebemos as plantas em A3 dos 4 andares dos edifícios antigo e novo da escola onde está a decorrer o curso. Recebemos também uma pequena planta em A4 onde deveremos desenhar a sala de aula dos nossos sonhos. Por fim, tivemos direito a marcadores coloridos para irmos escrevendo os nomes dos espaços que reconhecíamos e daqueles que desenharíamos de outras formas.

Houve sobretudo duas coisas interessantes nesta atividade: em primeiro lugar, a oportunidade de olharmos uma escola com olhos de ver, sem alunos e de imaginarmos como organizaríamos os espaços e mobiliário de acordo com os nossos interesses e necessidades; como se fôssemos “donos e senhores da nossa casa”.

Depois, não deixou de ser curioso como, apesar das nossas origens e contextos tão distintos, todos nos surpreendermos com as mesmas coisas. Entre o que provocou mais surpresas, distinguiria a enorme sala de professores com cozinha, cacifos, secador de roupa e, imagine-se, uma poltrona de massagens (os professores precisam de estar felizes e satisfeitos); as mesas individuais cujo formato permitia uma arrumação modular e facilita a interação e a deambulação do professor entre os alunos, durante a aula; os equipamentos tecnológicos, com quadros interativos, projetores e visualizadores em TODAS as salas, além das modernas calhas técnicas (algumas num formato vertical portátil extraordinário); a qualidade dos laboratórios e, também, os gabinetes dos professores, por departamento, com agradáveis cubículos que incluíam secretárias, cadeiras, armários e estantes para todos os professores.

No final dos nossos registos e observações, o Diretor da Escola (organizador do curso) explicou e justificou as suas opções, muito de acordo com um inquérito previamente realizado a alunos e professores.

Houve ainda tempo para a apresentação dos colegas da Turquia.

Por hoje é tudo. Deixamos a reportagem fotográfica que fala por si:

 

[Veja mais fotos aqui]

 

A Escola (des)Arrumada

Não sou uma pessoa que vá atrás de primeiras impressões; ou que se deixe criar grandes expectativas. Confesso, contudo, que hoje ao entrar na escola finlandesa onde está a decorrer parte do curso sobre “Ambientes de Aprendizagem” que vim frequentar, me surpreendi. A escola está em obras e arrumações de verão. Nada estava no seu lugar; estantes vazias, caixotes de livros, mesas e cadeiras empilhadas, materiais de construção, uma confusão enorme.

Depois do choque inicial, pensei: “Isto só pode ser uma metáfora!” Algo assim, ao acaso, para me fazer pensar. E, de facto, …. pensemos: não queremos sempre uma Escola em construção, uma Escola que saiba re-inventar-se, uma escola que saiba aproveitar os momentos de pausa para se re-pensar e re-organizar para o Futuro?

E foi com esta certeza que entrei na sala; não tirei ainda muitas fotos com uma panorâmica da sala mas o que temos não é muito diferente do que conhecemos em Portugal: dois quadros brancos, um projetor, computador na mesa do professor, estantes, livros, …. ah! espera nesta sala as mesas são individuais e perfeitamente reconfiguráveis, as cadeiras são almofadadas e têm rodas. As mesas estão organizadas em grupos de 4. Num canto, meio escondido está um armário onde carrega uma dúzia de iPads e outra de tablets Samsung com teclado. E, por agora, é tudo. Mas é bastante.

O dia foi preenchido com a caracterização do sistema educativo finlandês e das suas  escolas depois de um excelente retrato da história da Finlândia. Tivemos dois intervalos para café e um almoço partilhado na cozinha da Escola (sim, aulas de economia doméstica fazem parte do currículo e nós estamos numa escola secundária).20150726_162456

Em seguida, demos início à apresentação dos sistemas educativos e das escolas dos diferentes países presentes: Eslováquia, República Checa, Chipre, Bulgária, Espanha, Itália, Turquia, Portugal e Lituânia. Curiosamente, demos conta de uma atitude comum, todos íamos comentando o que era semelhante e tomando nota daquilo que merecia a pena conhecer melhor para replicar. Apesar das diferenças dos diversos sistemas, foi algumas vezes referido o desejo de melhorar a criatividade dos professores e a sua competência na utilização das tecnologias de modo a promover a melhoria das aprendizagens. Como tal, alguns dos colegas mencionaram a plataforma de colaboração entre as escolas europeias, o eTtwinning.

O dia de trabalho terminou com a revisão do programa da semana que vai incluir visitas as escolas e formação na área das tecnologias com recurso a iPads e trabalho colaborativo.

Amanhã, espero continuar o relato.

 

 

A Sala de Aula do Futuro, um laboratório de aprendizagem para o professor e para o aluno?

“Sem dúvida” é a minha resposta à questão acima. Tanto que eu poderia escrever sobre este assunto. Mas o momento ainda não chegou.

Para memória futura – e arrumação pessoal – fica o registo do meu portefólio como formanda desta Ação de Formação de Formadores promovida pela Direção-Geral da Educação em julho de 2015 e que concretiza (e explora) o fruto de diversos dos últimos projetos desenvolvidos no âmbito da participação portuguesa na Rede Europeia dos Ministérios da Educação, a European Schoolnet: iTEC, LSL, CCL e FCL.

 

A aprendizagem como um jogo ou como eu quero caminhar dos jogos digitais à gamificação

Quem tem a paciência de me acompanhar nas Redes Sociais conhece não só a minha paixão pela Educação, como o meu profundo interesse pelas aplicações das tecnologias aos processos de ensino e de aprendizagem. Um dos vários temas que me têm interessado é o da utilização de jogos digitais (os tais jogos ditos “sérios”), vindo a evoluir numa tentativa de entendimento do que, é ou do que pode ser, a gamificação (abro aqui um parêntesis para declarar publicamente que acredito que, tal como “blogue”, este será o termo que, em português, receberá dicionarização; vamos ver se o tempo me dá razão).

Este interesse nasceu com a evolução do tempo, com a minha evolução e – confesso -, em grande parte, com o privilégio de, no âmbito das minhas funções como professora requisitada pela Direção-Geral da Educação (à época, ainda Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular) – ter colaborado na divulgação junto das escolas portuguesas de um excelente projeto que dá pelo nome “Jogos digitais na promoção de competências transversais – O jogo PING – “Poverty Is Not a Game! (A Pobreza não é um jogo!)“.-

Tenho vindo, desde então, a reunir uma série de recursos neste contexto, como forma de testar uma das ferramentas que mais tem crescido em número de utilizadores nos último tempos, o Scoop It e de ir guardando tudo o que de interessante é partilhado sobre os temas Jogos Sérios, no início e Gamificação, mais recentemente. O trabalho deve ter algum mérito visto que, para grande surpresa minha, foi citado num excelente trabalho de edição da De Facto.

O interesse mantém-se e, desde o meu regresso à escola, em 2013/2014 – depois de dois anos de interrupção como professora – tenho procurado fazer pequenas coisas, experimentar, testar, avaliar entusiasmos, não sei se…. gamificar.

E, como professora, mas também como formadora de docentes e dado um dos outros interesses passar pelos vários formatos de e-learning, tenho agora o grato prazer de estar a realizar uma formação da TECMinho sobre, precisamente, gamificação. Ainda só passou uma semana; o meu tempo, como sempre, é curto de mais, ou as responsabilidades muitas, mas…. estou a gostar bastante. Confesso que é também porque me dá a possibilidade – ou melhor, obriga-me! – a parar um bocadinho, a pensar. Uma das primeiras atividades foi o comentário de um vídeo. Como título, “Gaming can make a better world”, como autora, Jane McGonigal, um portento de inteligência e capacidade comunicativa. E porque tanto prazer me deu, o video e o comentário, porque tanto aprendi, aqui estou eu a partilhá-lo. Não sei quantos me estão a ler mas…. espero não só que gostem mas que vos seja útil. Os meus agradecimentos desde já ao Formador, Jorge Simões, que me autorizou a publicar aqui esta minha reflexão. O vídeo que a motivou é o que se segue; recomendo vivamente a sua visualização integral.

O meu comentário:

Esta é merecidamente uma das vinte melhores TED Talks! Tema relevante, comunicação impressionante. Sobretudo para uma non-gamer, para uma mãe, uma professora, uma formadora, uma investigadora (mais informal que formal) na área das tecnologias educativas, eu! 🙂

É de facto um fenómeno digno de análise o tempo que tantas pessoas – jovens ou adultos – dedicam aos jogos. E pensar no que tanto os atrai e tanto os consome é inevitável; mas pensar que esse tempo não é, afinal, mal-empregue 😀 , e pode ser utilizado para melhorar o mundo que nos rodeia é admirável! Não admira que Jane McGonigal deseje ver, um dia, um game-designer ganhar um Nobel. Depois de perceber quais os jogos a que ela, na maior parte da sua carreira, se tem dedicado, é fácil perceber porquê. Para mim, faz ainda mais sentido, tendo tido o prazer de apresentar o Jogo PING às escolas portuguesas (“Poverty is not a Game”). As questões, em termos de Cidadania, que o jogo levanta continuam a fazer todo o sentido.

Muito concretamente, uma das questões que Jane McGonigal levanta é a de saber em que é que os gamers são bons, ou porque deveríamos todos ser mais gamers, jogar e jogar mais horas. Obviamente que a defesa da ideia faz todo o sentido para uma game-designer mas Jane McGonigal consegue fazer nos perceber o que caracteriza um gamer versus um individuo comum, digamos.

Em primeiro lugar, a questão do otimismo urgente, o desejo de atuar imediatamente e de derrubar todos os obstáculos até atingirmos o nosso objetivo, essa esperança de sucesso; em seguida, a questão do relacionamento pessoal, da empatia, da confiança e valorização mútua que tornam as relações sociais mais fortes, sobretudo quando há um objetivo em comum, a tal vivência em equipa, skill do sec. XXI; depois, aquilo que eu traduziria por “abençoada produtividade” (tão bem que eu me sinto agora por produzir este comentário antes da meia-noite, ufaaa, vou cumprir um objetivo! :-D), a realização de um trabalho que pode ser árduo mas é sem dúvida, significativo, faz de nós melhores seres humanos; finalmente, o significado épico, quem não gosta de sentir-se um herói, de estar ligado a grandes missões?!

Se compreendi bem, aquilo que Jane McGonigal defende é que este envolvimento, esta postura, devem ser usados para envolver as pessoas em jogos que promovam aprendizagens a vários níveis, mas sobretudo em termos de Cidadania (“making a better world”). É de facto importante perceber isso pois talvez essa postura seja algo que o individuo só consiga quando se torna gamer. Será possível transportar esse envolvimento para fora, para algo que não seja um jogo, mas seja gamificado? Muito sinceramente, espero descobrir um bocadinho mais da resposta a esta pergunta neste curso.

Vejamos as características do “jogar”: é um ato voluntário; ninguém joga por obrigação; o jogador é responsável direto pelos seus atos e, na verdade, não há insucessos, pode-se sempre recomeçar; as interações não trazem, à partida, consequências graves (quando desligamos, ficamos fora do jogo, do mundo do jogo); se tudo correr bem, não há rotinas (os jogos são sempre diferentes, há variedade e os desafios são constantes). Como transportar tudo isto para o contexto educativo/formativo? Um desafio interessantíssimo, sem dúvida!

Let the games begin! 

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