Na sequência do post anterior, aqui ficam as ideias que destaco do artigo de Lorrie Shepard:

A autora organiza o seu texto em três partes distintas:
1. apresentação do contexto histórico da Avaliação escolar, colocando em evidencia a eficácia social do currículo, as teorias de aprendizagem behaviouristas e a avaliação(“measurement“) científica;
2. proposta de um quadro conceptual de cariz construtivista que alia ideias-chave das teorias cognitivistas, construtivistas e socio-culturais;
3. apresentação das mudanças necessárias nas práticas de avaliação de forma a serem consistentes com a pedagogia socio-construtivista.

Entre outros aspectos importantes, o artigo apresenta os principios da Avaliação segundo o paradigma construtivista:
* tarefas desafiadoras que exijam pensamento crítico
* destina-se quer aos processos quer aos resultados da aprendizagem
* processo contínuo, integrado na instrução
* usada formativamente em apoio das aprendizagens dos alunos
* expectativas conhecidas pelos alunos
* usada para avaliar tanto o ensino como a aprendizagem.

Na utilização da avaliação no processo de aprendizagem, a autora distingue os seguintes elementos-chave:
– Uma cultura de aprendizagem
Melhorar o conteúdo das avaliações é importante mas não o suficiente para assegurar que a avaliação será usada para melhorar a aprendizagem. As mudanças nas práticas da sala de aula são absolutamente necessárias de modo a tornar a avaliação parte do processo de aprendizagem.
– Avaliação dinâmica
De modo a que a avaliação desempenhe um papel mais útil no auxílio à aprendizagem dos alunos, deverá assumir um lugar central nos processos de ensino e de aprendizagem em vez de ser remetida para o extremo final da instrução. A noção de avaliação dinâmica está próxima da de zona de desenvolvimento proximal de Vigotsky [escrevi sobre isso aqui].
– Conhecimento prévio (pré-requistos?)
Os conhecimentos adquiridos anteriormente e o feedback são dois conceitos cujo significado deve ser revisto à medida que as teorias de aprendizagem mudam de maneira a se adequarem aos conceitos socio-culturais.
Feedback
Professores experientes usam, sempre que possível, formas de feedback para manter a motivação dos alunos bem como a sua auto-confiança mas sem ignorar os seus erros. É algo que deve ser sempre feito.
– Transferência
Para apoiar a generalização e transferência de conhecimentos, ou seja, como apoio a conhecimentos forte e efectivos, o bom professor deve questionar o conhecimento anterior de novas formas, exigir novas aplicações e o estabelecimento de relações.
– Critérios explícitos
Os alunos devem ter uma imagem clara dos critérios pelos quais o seu trabalho vai ser avaliado.
– Auto-avaliação
Este tipo de avaliação está ao serviço de objectivos cognitivos e pretende aumentar a responsabilidade do aluno pela sua própria aprendizagem, além de tornar a relação professor-aluno mais colaborativa.

E, por fim,

– Avaliação do ensino
A avaliação não deve ser apenas usada para controlar a aprendizagem individual do aluno mas deverá também ser utilizada para analisar e melhorar as práticas do professor.

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