Não sei se ainda terei de fazer ajustes uma quinta (!) vez mas… aqui fica um pequeno excerto da introdução da minha Tese (o esquema pretende traduzir as três áreas que nela se cruzam).
“O objectivo geral do trabalho é estudar as relações entre as Aprendizagens realizadas através de 1 e 2 e avaliadas através de 3. Pretendemos assim descrever o ambiente de ensino e aprendizagem numa turma de Língua Portuguesa de 3º ciclo, focando quer a questão do recurso às tecnologias, quer a questão do recurso sistemático à avaliação formativa.
Estudos relativamente recentes têm considerado como elementos-chave no desenvolvimento da avaliação os conceitos de Avaliação Formativa e Sumativa (bem como os de individualização e diferenciação) (Fernandes, 2005). Procurando responder, entre outras, à questão “Quando avaliar?”, tem-se afirmado que deverá existir uma primeira avaliação orientativa (anterior aos processos de ensino-aprendizagem) reguladora (durante esses processos) e com o objectivo de realizar um balanço (final).
Ora, o conceito de avaliação formativa surge no quadro desta investigação como forma de regulação das aprendizagens realizadas no contexto da utilização das Tecnologias. Possuindo diversas potencialidades, este tipo de avaliação dá oportunidade ao aluno de aprender mais e melhor (desenvolver ao máximo as suas competências, articulando saberes); permite um feedback oportuno, contextualizado e individualizado; permite que alunos mais fracos beneficiem mais do processo de aprendizagem. Não se revela apenas uma nova forma de avaliar mas outra forma de ensinar e, fundamentalmente, de regular os processos de aprendizagem (Black, P. e William. D., 1998; Main, 2003; Australian National Training Authotity, 2004). É indissociável de uma intervenção atempada e só resulta se se mudarem, também, os modelos didácticos e as estratégias (Fernandes, 2005).
Este trabalho pretendeu, no contexto da CVA que investigou, aplicar os pressupostos da avaliação formativa enquanto processo pedagógico enquadrado num ensino e aprendizagem que são, também, mediados por computador.
Perrenoud (1988) afirma claramente que este tipo de avaliação remete não apenas para uma forma diferente de avaliar mas para outra forma de ensinar ou, mais exactamente, de fazer a regulação do processo de aprendizagem. Este tipo de avaliação, ainda segundo o mesmo autor, coloca o professor (e o aluno) diante de um problema para o qual tem de encontrar uma solução, ou seja, realizar uma intervenção.
Importa esclarecer então que a avaliação formativa é um processo conduzido ao longo de um curso (unidade ou projecto) que, sendo realizado pelo professor ou pelo próprio aluno providencia feedback sobre o trabalho desenvolvido de modo a ajudar a aprendizagem. O conceito distingue-se do de avaliação sumativa dado que esta é levada a cabo no final do curso (unidade, projecto,…) com o objectivo de determinar os conhecimentos ou competências do aluno (Fernandes, 2005; Perrenoud, 1988, 1991; Sadler, 1998; Harlen e Jones, 1997).
Pretendeu-se, num contexto de uma unidade didáctica de estudo da narrativa, aplicar os pressupostos deste tipo de avaliação e de entre os quais destacamos a apresentação de tarefas apropriadas aos alunos; a diferenciação de; a utilização de um sistema permanente e inteligente de feedback que apoiasse efectivamente os alunos na regulação das suas aprendizagens; o ajuste sistemático do ensino de acordo com as necessidades; a criação de um clima adequado de comunicação interactiva entre os alunos e entre estes e o professor (Anderson, R.S., Bauer, J.F., Speck B., Ed., 2002; Gipps & Stobbart, 2003).
Pretendeu-se igualmente que o processo avaliativo utilize a tecnologia como recurso quer na fase de execução, como na de apresentação e avaliação das tarefas (utilização do software Hotpotatoes, do Surveyor ou outros e eventual recurso a actividades de Avaliação já disponíveis na WWW, nomeadamente Webquests ou outras).“
