Sobre:
Perrenoud, Philippe (2001). Les trois fonctions de l’évaluation dans une scloraité organisée en cycles. Éducateur nº 2, pp. 19-25. Disponível em http://www.unige.ch/fapse/SSE/teachers/perrenoud/php_main/php_2001/2001_01.html Consultado a 26 de Junho de 2005.
Neste artigo, Peerenoud refecte sobre o papel da Avaliação Formativa (AF) no contexto de uma escolaridade organizada em ciclos, como é o caso da portuguesa. Se a aposta é a de optimizar as aprendizagens, a AF tem um papel primordial dado que é um instrumento privilegiado de uma pedagogia diferenciada e de uma individualização dos percursos.
Ficam aqui breves notas da leitura que realizei desse texto.
O autor começa por lembra as teoria de Jean Cardinet que, em 1983, definiu as funções da avaliação:
– regulação;
– certificação;
– orientação; possuindo cada uma os seus instrumentos específicos.
A AF serve a primeira delas; a segunda ocorre em final de ciclo e a terceira conclui um processo e subentende uma escolha.
A existência de uma escolaridade organizada por ciclos, prevendo objectivos de aprendizagem a longo prazo, não implica, segundo Perrenoud, renunciar a avaliações formativas frequentes e detalhadas.
A função da AF é saber o suficiente sobre as aprendizagens de modo a optimizar as situações de aprendizagem em que cada aluno é envolvido.
Este tipo de avaliação ajuda a ultrapassar alguns obstáculos, nomeadamente através daquilo que a seguir se explica:
. Construção de uma imagem precisa das aquisições do aluno, da sua forma de aprender, da sua relação com o saber, do seu projecto e dos seus recursos.
. Identificação das necessidades, dos meios de acção (o termo empregue pelo autor é “levier”, alavanca) e dos problemas com que é preciso lidar prioritariamente.
. Intervenção a diversos níveis de regulação:
– do trabalho do aluno em curso;
– orientação para outras actividades;
– inserção de alunos em grupos de nível;
– observação do percurso a longo prazo.
O objectivo da regulação é melhorar não apenas o funcionamento didáctico mas sobretudo o processo de aprendizagem, quer através de uma intervenção ditecta, quer através da reorganização das tarefas de aprendizagem.
Assim, a observação formativa passa pelas seguintes etapas:
1. balanço provisório das aquisições;
2. diagnóstico;
3. análise minuciosa das condições e modalidades do processo de aprendizagem.
Será preciso não esquecer de associar o aluno às observações dado que ele é o principal agente de intervenção (e podemos, então, falar de autoregulação).
É importante sublinhar que toda a observação formativa necessita da maior cooperação possível por parte do aluno mas para a obter é necessário que o professor “saiba mais que o aluno” e não limite a sua análise àquilo de que o aluno toma consiência.
As práticas formativas (regulação de tarefas de aprendizagem, estímulo da autoregulação cognitiva e metacognitiva) são muito especializadas. É necessário, portanto, estabelecer bases conceptuais firmes para estas representações.
